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31.8.04

Convenção unplugged 

Se este blog fosse adepto de teorias da conspiração, iria achar muito suspeito que a sua ligação de banda larga à Internet fosse suspensa exactamente no dia em que começou a convenção republicana. Mas, com paranóia ou não, o que é certo é que o bairro onde está o escritório do PÚBLICO em Nova Iorque ficou sem Internet por cabo na segunda-feira. E a firma que fornece o serviço não sabe quando é que vai resolver o problema (alguém quer apostar que será na sexta-feira, assim que acabar a convenção?).

Sem cabo, não há alternativa senão uma ligação à Internet por telefone, o que torna muito mais complicado o acesso ao Blogger. Não seria grave se a convenção republicana oferecesse à imprensa ligações de alta velocidade — como havia na convenção democrata de Boston.

Hélas, os republicanos só dão ligações “dial-up” aos jornalistas. Este blog queixou-se do atraso tecnológico da convenção de Nova Iorque a um dos relações-públicas republicanos, notando que a convenção dos democratas tinha condições muito melhores.

“Sim, mas a nossa comida é melhor", respondeu o republicano. O que é verdade, mas apenas porque a comida na convenção de Boston era absolutamente atroz. E entre boas sandes e uma ligação rápida, este blog preferia a sua Internet por cabo. Enfim, novos posts dependentes da evolução da situação técnica.

29.8.04

Notas da grande marcha anti-Bush 4: o melhor cartaz 

Das dezenas de milhares de cartazes na manifestação, o favorito deste blog: um imagem recortada deste indivíduo, com um “slogan” parafraseando a sua citação mais famosa: “Worst President Ever”.

Notas da grande marcha anti-Bush 3: Código laranja 

A multidão que desfilou pelas ruas de Nova Iorque contra Bush não tinha uma organização centralizada. Em vez disso, era um grupo heterogéneo de imensas causas e movimentos. Pouco tinham em comum para além da hostilidade a Bush.

As poucas tentativas de unificar o protesto falharam. Por exemplo, o projecto Code Orange queria ironizar com o código de cores que a Administração usa para o perigo terrorismo; como actualmente a cidade de Nova Iorque está em “código laranja” (o segundo nível mais elevado), apelou a todos os nova-iorquinos que saíssem à rua com roupas cor-de-laranja.

Mas este blog não encontrou quase ninguém trajado de laranja. Também não encontrou nenhum manifestante que aproveitasse esta generosa oferta.



Notas da grande marcha anti-Bush 2: Falun Gong 

Em qualquer evento político, eles estão sempre lá. Os membros da Falun Gong, um grupo com origem na China que se queixa de perseguição política por Pequim, aparece em todo o lado. Também estão na convenção republicana, e lá estavam eles outra vez na marcha anti-Bush. Com as suas camisolas amarelas, fazendo tranquilamente os seus exercícios, os Falun Gong não protestavam contra Bush mas contra o regime chinês. São insistentes, mas sempre impecavelmente amáveis e simpáticos, e o seu esforço merece um link.

Notas da grande marcha anti-Bush 1: Muita gente 

Ainda não há estimativas oficiais sobre quanta gente estava na grande manifestação contra a convenção republicana. Os organizadores previam 250 mil pessoas. Este blog não pode fazer uma estimativa melhor do que esta: era muita gente.

Apesar de ter havido algumas detenções, tudo parece ter decorrido de forma pacífica. A manifestação está a ser acompanhada em directo por esta rádio nova-iorquina.

28.8.04

Bush no Ohio 

A caminho da convenção de Nova Iorque, George W. Bush vai a alguns dos estados cruciais desta eleição, incluindo o que será talvez o mais crucial de todos — o Ohio. Mas no Ohio Bush pode deparar com um problema inesperado — um caso de adultério.

Sondagem: Bush (mais ou menos) à frente 

George W. Bush vai à frente de John Kerry numa nova sondagem da revista “Time". Bush tem 46 por cento das intenção de voto, contra 44 por cento para Kerry. Tudo ainda empatado, portanto, porque o resultado está dentro da margem de erro. Mas será preocupante para Kerry que, depois de várias semanas ligeiramente à frente, seja agora Bush quem tem mais votos em várias sondagens.

Nova Iorque à espera de Bush 

A cidade de Nova Iorque, território hostil aos republicanos, prepara-se para uma recepção nada amistosa ao Presidente Bush e à convenção do Partido Republicano.

Hoje já houve inúmeros eventos de protesto; a grande marcha anti-Bush, que se espera reunir 250 mil pessoas, é amanhã.

Alguns links para seguir os protestos: Counterconvention lista eventos anti-Bush e tenta agregar as muitas actividades paralelas à convenção. O RNC Not Welcome inclui esta lista de actividades da convenção republicana — incluindo os espectáculos na Broadway a que os delegados à convenção irão.

Alguns protestos mais originais: os indomáveis Billionaires for Bush vão amanhã jogar “croquet” para o Central Park; os taxistas contra Bush que vão ter faróis acesos durante a convenção; e no site Bikes Against Bush, o leitor pode escrever as suas próprias mensagens a giz nas ruas de Nova Iorque.

27.8.04

E agora, um debate por semana 

John Kerry desafiou George W. Bush a fazer um debate por semana até à data das eleições. Os americanos teriam paciência para debates semanais durante dois meses e meio? Não o saberemos, porque a campanha Bush recusou, dizendo a Kerry que vá debater sozinho.

Hillary no direito de resposta 

Como é tradicional nas convenções, os democratas criaram uma equipa para rebater as afirmações dos republicanos. O “direito de resposta” democrata terá como porta-vozes uma série de figuras importantes do partido, sobretudo as ligadas a Nova Iorque — como a senador Hillary Clinton.

A contra-convenção já começou 

Só na segunda-feira é que começa a convenção do Partido Republicano em Nova Iorque, mas os protestos começaram cedo. Ainda ontem, quatro activistas penduraram uma faixa no hotel Plaza, mesmo junto ao local onde se realiza a convenção; outros activistas, do grupo ACT UP, despiram-se em Times Square para chamar atenção para o problema da Sida.

E foi só o começo — na próxima semana, haverá centenas e centenas de actividades, planeadas ou não, de protesto. Até os nova-iorquinos precisam de um guia para navegar nos mares da dissidência.

25.8.04

Kerry contra-ataca no Texas 

A campanha de John Kerry contra-atacou no caso dos anúncios sobre o Vietname — enviando o senador Max Clelland (um herói de guerra) para as portas do rancho de George W. Bush em Crawford, no Texas. O objectivo de Clelland era entregar uma carta a Bush, assinada por vários senadores democratas, apelando ao Presidente que denuncie especificamente os anúncios televisivos que põem em causa a carreira militar de Kerry. Clelland atraiu muita atenção mediática, mas não conseguiu entregar a carta — as portas do rancho estavam fechadas.

Cheney a favor do casamento gay 

Nunca se tinha ouvido Dick Cheney a discordar de uma opinião do seu "patrão", George W. Bush. Mas Cheney foge à linha do partido num dos temas mais controversos na sociedade americana: o vice-presidente falou sobre o casamento gay.

Uma das filhas de Cheney é lésbica; o vice-presidente nunca tentou esconder o facto, mas também nunca tinha falado directamente sobre o assunto. Mas num comício no Iowa, Cheney discutiu a situação da filha, e manifestou uma posição contrária à de Bush — embora acrescentando que o Presidente é que manda. As declarações de Cheney podem ter um efeito curioso, tendo em conta que a oposição ao casamento gay é uma das grandes bandeiras dos republicanos mais conservadores.

Outro efeito possível é a “humanização” da imagem de Cheney. O vice-presidente é visto, mesmo pelos seus aliados, como frio e distante; este gesto de independência em favor da sua filha é algo surpreendente.

24.8.04

Um mestre da citação 

Muita gente acha que George W. Bush é, no mínimo, pouco dotado para a oratória. Bush pode de facto não ser um Demóstenes da era moderna, mas é hábil a usar certos truques oratórios. Por exemplo, em usar as palavras dos seus rivais contra eles próprios. Ou melhor ainda, a reinventar as citações dos seus rivais de forma a que elas pareçam “gaffes” comprometedoras. O correspondente do "Washington Post" na Casa Branca, Dana Millbank, elaborou uma lista de exemplos.




Mais um “best-seller" 

O livro "Unfit for Command" é um ataque violentíssimo à carreira militar de John Kerry. Chegou às livrarias na altura ideal, no meio de um debate sobre anúncios televisivos que atacam o currículo de Kerry no Vietname. O livro tornou-se num sucesso — ao ponto de a maior cadeia de livrarias dos EUA ter esgotado o seu “stock”.

23.8.04

Mais trapalhada na Florida 

O "New York Daily News" descobriu que há 46 mil cidadãos recenseados para votar em dois estados — Florida e Nova Iorque. Ou seja, segundo a investigação do "Daily News", alguns indivíduos votam duas vezes (nos EUA é possível votar pelo correio). Tendo em conta que foi na Florida que se decidiram as eleições de 2000, a história tem importância. O "Daily News" apurou também que mais de dois terços dos 46 mil "cidadãos duplos" são eleitores democratas.

Bush e os anúncios negativos 

Bush denunciou os anúncios negativos pagos por organizações "independentes" e apelou ao fim desse tipo de propaganda. A campanha de Kerry diz que é tudo lágrimas de crocodilo — e que Bush patrocina conscientemente anúncios de organizações “independentes”.


22.8.04

Veterano contra veteranos anti-Kerry 

Os anúncios televisivos do grupo Swift Boat Veterans for Truth acusam John Kerry de ter mentido sobre a sua carreira militar no Vietname. Kerry responde que os anúncios mentem, e que o grupo é manipulado pela campanha de George W. Bush. Um outro antigo combatente do Vietname, que é actualmente editor do “Chicago Tribune”, conta hoje a sua história, e diz que Kerry tem razão.


20.8.04

Entrevista com Phil T. Rich 

A convenção republicana em Nova Iorque será recebida por uma vaga de manifestantes anti-Bush, a maior parte dos quais utilizam tácticas diferentes das tradicionais.

Talvez o mais famoso dos grupos de protesto “alternativo” seja os Billionaires for Bush.Os membros dos BfB protestam através da sátira; adoptam pseudónimos, vestem-se como versões “cartoon” de bilionários (fatos de gala, cartolas), e têm “slogans” como “Dick Cheney é inocente”, “Obrigado povinho por nos pagarem os impostos” ou “Libertem os prisioneiros políticos da Enron”.

O objectivo é subverter a mecânica normal das manifestações anti-Bush; criticar o Presidente ridicularizando-o como o ídolo de uma classe super-rica, conspiratória e gananciosa. O fundador dos BfB, Andrew Boyd, acedeu a dar uma entrevista no seu alter-ego Phil T. Rich (o nome quer dizer “podre de rico”):

PÚBLICO: O que é que os Billionaires for Bush têm a dizer sobre George W. Bush?

PHIL T. RICH: Obrigado, obrigado, obrigado! Georgie, já não falamos há muito tempo, desde que andávamos os dois [numa sociedade secreta na universidade de Yale] em 1969.
Obrigado pelos cortes nos impostos, não entendo o que é que os outros americanos vêm neles, mas sabemos bem o que fizeste por nós.
Obrigado por nos deixares deitar três vezes mais poluentes para o ar. Obrigado por aqueles contratos de milhões sem concurso público no Iraque e no Afeganistão.
Agora contamos contigo para continuar a destruição sistemática do Estado, fazê-lo tão pequeno até que possamos afogá-lo como um bebé na banheira, como diz o Grover Norquist [famoso ultraconservador americano].


P. Em Nova Iorque, durante a convenção republicana, vão ter de encontrar muitos manifestantes e activistas. Como é que vão lidar com eles?

R. Vamos atirar com rolhas de garrafas de champanhe às grandes massas que não tomam banho da classe média. Vamos berrar-lhes que vejam mais [a estação televisiva de direita] Fox News. Vamos dizer-lhes que arranjem um emprego e limpem essas tatuagens do braço, ou pelo menos substituam-nas por tatuagens com imagens de Jesus.

P. E vão denunciá-los como terroristas ao Departamento de Justiça?

R. Vamos filmá-los e enviar as imagens ao [ministro da Justiça John] Ashcroft.

P. Qual é a sua mensagem para os europeus?

R. Não temos falado muito com os nossos colegas europeus. Mas temos os nossos aliados capitalistas na Europa, e quero dizer-lhes que esta grande luta [de reeleger Bush] não é só nossa, também é vossa.

Bush nos Jogos 

O anúncio da campanha de Bush em mais rotação actualmente nas televisões americanas recorre ao espírito dos Jogos Olímpicos. O "spot" (o link lança um vídeo em quicktime) menciona que, graças aos esforços de Bush, mais duas democracias (o Iraque e o Afeganistão) estão presentes em Atenas.

O Comité Olímpico Internacional, muito zeloso de qualquer uso das argolas olímpicas, já manifestou o seu desagrado. E os atletas da selecção de futebol do Iraque também protestaram contra o anúncio.





19.8.04

Não é a economia, estúpido 

Pela primeira vez em muitos anos, o grande tema da campanha eleitoral para as presidenciais americanas não é a economia. Segundo um estudo do Pew Research Center, apesar de os EUA ainda estarem na ressaca de uma mini-recessão económica, os eleitores dizem-se mais preocupados com temas de segurança e política externa.


A famíla 

E por falar em livros: numa campanha eleitoral em que os livros têm tido um papel fulcral, poucos volumes serão tão agurdados como "The Family : The Real Story of the Bush Dynasty". Porquê? Porque a sua autora é Kitty Kelley, que escreveu biografias sensacionalistas de Jacqueline Onassis e Nancy Reagan.

O que é que Kelley tem para contar sobre os Bush? O livro promete revelações sobre “as matriarcas, as amantes, os casamentos, os divórcios (…) e a ovelha negra”. “The Family" será editado a 14 de Setembro.

É um livro 

A campanha publicitária que tantalizava leitores da imprensa americana com imagens de “retro” e “metro” afinal não tem conteúdo político, pelo menos não directamente. Afinal, a bem financiada campanha serve só para lançar um livro, "The Great Divide", escrito pelo académico John Sperling. A ideia é ilustrar a “grande divisão” na América entre conservadores e esquerdistas. Através do site do livro é possível fazer downloads gratuitos (em PDF) de todos os capítulos.

18.8.04

Nesta campanha não há cortesias 

Tradicionalmente as campanhas eleitorais são interrompidas durante as convenções partidárias. Como cortesia para com o candidato que esteja a realizar a sua convenção, o rival reduz as suas actividades ao mínimo.

Há excepções à regra. Este ano, não há cortesias nem desportivismos para ninguém: John Kerry vai continuar a sua campanha eleitoral mesmo durante a convenção do Partido Republicano em Nova Iorque. Kerry terá uma semana tranquila, fará apenas uma ou duas intervenções públicas, mas mesmo assim é sintomático que decida não dar tréguas nem por um dia a Bush.

Em quem votaria Jesus? 

Quando têm de fazer uma escolha difícil, muitos americanos religiosos perguntam-se: “O que faria Jesus?”

“What would Jesus do” é uma expressão tão repetida que já se tornou numa frase feita algo “kitsch". Mas num país onde o sentimento cristão é importante, faz sentido fazer a pergunta — e até adaptá-la para “em quem votaria Jesus"?

Este artigo não dá a resposta, mas discorre sobre o tema das escolhas políticas de Cristo, a propósito de uma convenção da Texas Freedom Network, uma organização de cristãos “moderados”.

A família Bush num casamento gay 

Bem, não será a família toda, e a presença não está confirmada. Mas o "New York Daily News" afiança que as filhas gémeas de George W. Bush, Jenna e Barbara, foram convidadas para o casamento do seu esteticista com outro homem, e estão entusiasmadíssimas com a ideia de ir.

Isto apesar de o pai, George W., ser contra o casamento entre homossexuais, e de ter proposto uma emenda constitucional para o proibir. O casamento será no Massachusetts — o único estado americano onde ele é permitido.

17.8.04

Casa Branca do Oeste 

Há dezenas, talvez centenas, de grupos independentes ou ligados a campanhas políticas a produzir filmes de propaganda. Muitos usam a arma da paródia. Alguns têm estrelas de cinema — como este, White House West, uma sátira ao hábito de George W. Bush de usar o seu rancho de Crawford, no Texas, para “photo-ops”. O filme é pago por um grupo chamado America Coming Together, e tem Will Ferrell como estrela. (o link abre um filme em Quicktime)

A manif electrónica 

Quando George W. Bush chegar a Nova Iorque, no fim do mês, para a convenção do Partido Republicano, vai deparar certamente com centenas de milhares de manifestantes nas ruas.

Mas também vai haver protestos electrónicos. Um artigo na Wired conta que há grupos de “hackers” preparados para perturbar a convenção republicana — através de ataques contra os sites da campanha de Bush ou do Partido Republicano.

Bush recupera 

A última sondagem da Gallup mostra uma ligeira subida para Bush. A taxa de aprovação da sua presidência está agora em 51 por cento, uma subida de três pontos. Ainda segundo a Gallup, Bush está à frente de John Kerry na corrida à presidência.

Mas a Gallup não traz só boas notícias a Bush. O instituto de sondagens publica também um estudo que mostra que a confiança dos americanos na sua economia está em queda.

16.8.04

O Colorado também pode ser a nova Florida 

O referendo referido no post anterior acontece no dia das eleições presidenciais — mas os seus defensores querem que ele tenha efeito retroactivo. Ou seja, se os eleitores do Colorado aprovarem a ideia de distribuição proporcional dos votos, ela poderá ter efeito já sobre estas eleições.

Tendo em conta que se espera que as presidenciais sejam decididas por uma margem mínima, a repartição dos 9 votos do Colorado no colégio eleitoral (num total de 538) pode mudar o curso da eleição (em 2000, isso teria bastado para dar a vitória a Al Gore).

Como se espera que o Colorado vote Bush, os republicanos estão contra a ideia. E os adversários do referendo já prometeram: se o sim ganhar, levam a coisa para tribunal. Ou seja, a hipótese de uma nova batalha jurídica como a da Florida não está completamente fora de questão…

O Colorado pode mudar a América 

Em Novembro, os eleitores do Colorado vão pronunciar-se em referendo sobre uma questão fulcral para o futuro da política americana.

Vai às urnas a ideia de distribuir proporcionalmente os votos do Colorado no colégio eleitoral que escolhe o Presidente.

Os americanos não votam directamente para eleger o seu Presidente; cada um dos 50 estados americanos elege um número de “supereleitores” proporcional à sua população. Em todos menos dois dos estados, o sistema é “winner takes all”; o candidato que vencer nem que seja por um voto (ou 537, como na Florida há quatro anos), leva todos os “supereleitores” desse estado (as duas excepções são o Maine e o Nebraska, onde vigora um sistema misto).

Isso significa que é possível que o candidato que vença as eleições pode acabar por ter menos votos que o derrotado (como aconteceu em 2000).

Este sistema tem a sua razão de ser; em vez de se concentrar apenas nos estados com grandes populações (Califórnia, Texas, Nova Iorque), os candidatos são obrigados a percorrer o país e a dirigir-se aos eleitores de estados mais pequenos mas “indecisos”.

O Colorado, que é um estado pouco populoso e nada indeciso (Bush deverá ganhar rapidamente) pode agora avançar para um novo sistema, em que os “supereleitores” são atribuídos proporcionalmente.

Os três combates dos chefes 

A sua importância política e a sua eficácia para convencer eleitores são duvidosos. Mas os debates televisivos são sempre momentos marcantes numa campanha política americana. Este ano, vai haver três: as datas (provisórias) são 30 de Setembro, 8 de Outubro e 13 de Outubro (uma quinta, uma sexta e uma quarta-feira).

Os moderadores serão Jim Lehrer (da PBS, que moderou os três debates nas eleições de 2000), Charlie Gibson (ABC) e Bob Schieffer (CBS). O formato, calendário e moderadores do debate são escolhidos por uma comissão independente. Haverá ainda um debate entre os candidatos a vice-presidente, Dick Cheney e John Edwards, a 5 de Outubro.

14.8.04

Sondagem: Kerry à frente na Florida 

O estudo de opinião mais recente sobre a Florida mostra John Kerry à frente. A vantagem é curta, mas não deixa de ser bom para o candidato democrata aparecer à frente no mais decisivo dos estados indecisos.

Este fim-de-semana, a Florida foi devastada pelo furacão Charley, e o governador do estado multiplicou-se em iniciativas para minorar os danos — tendo em conta que o governador em causa é Jeb Bush, irmão de George W., isso poderá influenciar as simpatias do eleitorado da Florida?

O que é garantido é que a corrida vai ser renhida. Até 2 de Novembro, ambas as campanhas vão redobrar esforços e afiar a retórica — leia-se por exemplo este artigo de opinião intitulado "Os terroristas e os comunistas querem que Kerry ganhe".

Fé na Casa Branca 

Os seus autores apresentam "George W. Bush: Faith in the White House" como uma resposta a “Fahrenheit 911". Este novo documentário é um retrato elogioso do Presidente americano, descrito como um fervoroso crente que leva a sua religião para a Casa Branca. Já está à venda, em DVD e videocassete.

13.8.04

Bush a King — está tudo a correr bem 

George W. Bush concedeu uma entrevista televisiva, ocasião rara. O Presidente falou, acompanhado pela mulher Laura, ao veterano da CNN Larry King. Nada de bombástico saiu da entrevista — Bush garantiu que a América e o mundo estão no bom caminho.

A entrevista não teve grandes repercussões. Bush falou com King na noite de ontem, quando a atenção dos media americanos já tinha sido desviada para o governador de New Jersey, Jim McGreevey, que anunciou sensacionalmente a sua demissão e revelou ter tido uma relação extra-marital com outro homem.

Director da CIA: Bond não, mas M sim 

O escolhido por George W. Bush para director da CIA tinha dito numa entrevista ao cineasta Michael Moore que não tinha as qualificações necessárias para trabalhar na agência de espionagem.

Depois de Moore ter divulgado as imagens, a Casa Branca ridicularizou a história e uma porta-voz de Goss (um congressista da Florida) veio explicar o contexto da entrevista: Goss estava a dizer que não tinha qualificações para ser agente de campo da CIA.

Ou seja, o que Goss queria dizer era mais ou menos que para James Bond não servia — mas isso não implica que ele não possa ser um M.

12.8.04

Retro vs. metro 

Uma nova campanha publicitária sofistacada e bem financiada chegou hoje às páginas dos jornais americanos: nas caríssimas páginas do caderno principal do “New York Times” apareciam vários pares de fotos de personalidades famosas, qualificadas como “retro” ou “metro”

Por exemplo Mel Gibson é “retro”; Michael Moore é “metro”. O ex-“speaker” Newt Gingrich é “retro”; Hillary Clinton é “metro”. Os anúncios não trazem qualquer explicação adicional, remetendo para o site Retro vs. Metro — que traz mais uma série de comparações “retro” e “metro”, e promete um lançamento oficial dentro de alguns dias para ilustrar o “grande abismo”, presume-se que na política americana.

Director da CIA: “Não sou qualificado" 

George W. Bush surpreendeu os meios políticos americanos ao nomear Porter Goss, um congressista da Florida, como novo director da CIA. Esperava-se que Bush não escolhesse um substituto para George Tenet antes das eleições de Novembro.

Bush resolveu contudo avançar com Goss; a surpresa da sua escolha foi só no “timing”, não na escolha propriamente dita. Goss — cuja nomeação ainda terá de ser confirmada pelo Senado — era o nome mais falado para a CIA.

No entanto, Goss meteu-se já em sarilhos, graças ao cineasta Michael Moore. Numa cena filmada em Março e que ficou de fora na montagem final de “Fahrenheit 911”, Goss disse a Moore achar que não tinha as qualificações necessárias para dirigir a CIA. Ou Goss não queria dizer o que disse, ou mudou de ideias, ou nos últimos meses andou a trabalhar para atingir as tais qualificações.

11.8.04

Correcção 

Ao contrário do que está escrito neste post, não é verdade que os cidadãos estrangeiros estejam proibidos de contribuir para campanhas eleitorais. Os estrangeiros residentes nos EUA com um “green card” (autorização de trabalho e residência) têm direito a fazer doações segundo os mesmos parâmetros que os cidadãos americanos.

Obrigado ao leitor Rogério Morais pela correcção. Se tiver amigos/parentes/conhecidos nos EUA e estiver interessado em saber a quem é que eles dirigiram as suas doações, há um instrumento excelente para curiosos — o motor de busca do Fundrace 2004.

10.8.04

GeorgeWBush.org 

A campanha de George W. Bush tentou comprar todos os URL com nomes que pudessem ser ligados à recandidatura do Presidente — mas há sempre alguns que se escapam, como este GeorgeWBush.org, uma excelente paródia do site oficial de Bush.

GeorgeWBush.org é uma criação de um dos grupos mais originais e criativos — os Billionaires for Bush.

9.8.04

Recebido no correio 

Sediado em Nova Iorque, este blog passa um pouco ao lado da grande agitação da campanha eleitoral.

Como Nova Iorque é um estado “seguro”, em que os resultados das presidenciais estão mais ou menos garantidos à partida (ganham os democratas), as campanhas não investem muito em comícios ou anúncios televisivos.

É em estados “indecisos”, como o Ohio ou a Florida, que a corrida é mais intensa. Em Nova Iorque, os candidatos só aparecem de fugida para breves ocasiões mediáticas (embora seja aqui que se realiza, no fim do mês, a mãe de todas as ocasiões mediáticas, a convenção republicana).

Ao contrário de cidades no Iowa ou no Arizona, cujos canais televisivos são bombardeados diariamente por dezenas de “spots” políticos, a publicidade em Nova Iorque é relativamente diminuta.

Mas Nova Iorque continua a ter importância para as campanhas — sobretudo na angariação de fundos. Os escritórios do PÚBLICO em Nova Iorque já receberam nada menos de cinco cartas pedindo dinheiro (duas de George W. Bush ou do Partido Republicano, duas de Kerry ou do Partido Democrata, uma de Ralph Nader).

Cidadãos estrangeiros estão proibidos de contribuir para campanhas eleitorais americanas, por isso as cartas não têm resposta. Mas vale a pena abri-las na mesma — os seus remetentes são figuras importantes como os próprios Bush ou Kerry, a líder democrata na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, ou o ex-“mayor” Rudy Giuliani

A mais interessante de todas incluía um poster de George W. Bush com a sua primeira dama, Laura. Não há espaço para ele nas paredes do escritório do PÚBLICO, por isso, se algum leitor estiver interessado, escreva para pribeiro(AT)publico.pt.

6.8.04

Frontrunner 

Se os jogos vídeo têm simulações de combate, desportos ou aviões, porque não de campanhas políticas? Aí está um deles — Frontrunner, disponível para download pela Internet, simula a gestão de uma campanha política. Parece interessante, mas tem um contra: não funciona em macs.

5.8.04

McCain já viu este filme 

O senador John McCain é amigo pessoal de John Kerry e critica frequentemente o Presidente Bush. Mesmo assim, McCain é republicano e fiel ao partido, e promete que vai votar em Bush. Mas McCain, um dos políticos mais populares da América, continua a dizer o que pensa.

Hoje, McCain descreveu um novo anúncio anti-Kerrycomo “desonesto e desonroso”. O “spot” põe em causa o heroísmo de Kerry no Vietname. McCain acha o anúncio “deplorável” e lamenta a sua exibição.

O “spot” é produzido por um grupo teoricamente independente da campanha de George W. Bush. O senador McCain pediu à campanha de Bush que condene explicitamente o “spot”; a Casa Branca limitou-se a dizer que não tem nada a ver com o anúncio.

O grupo que pagou pelo “spot" chama-se Swift Boat Veterans for Truth, e é constituído por veteranos de guerra anti-Kerry. A campanha do candidato democrata, incluindo vários dos seus antigos camaradas de armas, descrevem o conteúdo do anúncio como uma “fabricação”.

O “boss” contra Bush 

Bruce Springsteen é um dos símbolos da América, mas nunca tinha divulgado as suas preferências políticas. Este ano, o bardo de Asbury Park toma uma posição. Springsteen escreve um artigo de opinião no “New York Times” explicando porque é que vai para a estrada apelar ao voto contra Bush.

4.8.04

O duelo de Davenport 

John Kerry e George W. Bush estão ambos em campanha — e hoje estiveram praticamente na mesma rua e à mesma hora. Ambos fizeram comícios na pequena cidade de Davenport, no Iowa — um estado crucial nas eleições de Novembro.

Não há notícias de nenhum desacato entre partidários dos dois candidatos. Mas há outra história, ainda mais engraçada.

Enquanto Kerry e Bush estavam na cidade, três bancos foram assaltados. Os assaltantes terão previsto que a polícia iria dedicar a sua atenção apenas aos dois candidatos, e deixar os bancos desprotegidos. Kerry e Bush não estão na lista de suspeitos.

3.8.04

O “bounce”de Bush: zero 

Matthew Dowd é o estratega da campanha de George W. Bush que havia previsto 15 por cento de “bounce" (salto nas sondagens) para John Kerry depois da convenção democrata. Perguntaram-lhe agora que “bounce” é que ele espera para a convenção republicana — e ele diz que, tendo em conta que Kerry não levou grande “bounce” de Boston, a sua expectativa para a convenção republicana é zero.

Ou seja, Dowd prevê que o “bounce” pós-convenção de Bush seja zero. Não é uma previsão tão pessimista como se possa pensar. A convenção republicana de Nova Iorque (no fim deste mês) irá quase de certeza ser assoberbada por colossais protestos de rua.

É possível que as coisas descambem em batalhas campais; pode acontecer que a convenção acabe por ser publicidade negativa para Bush. Um “bounce” de zero sempre será melhor que descer nas sondagens.

2.8.04

Senador Affleck 

Durante a convenção democrata de Boston, era impossivel não dar com ele: estava em todas as festas, aparecia em todos os programas de televisão, fez tudo menos discursar à convenção. O actor Ben Affleck (natural da zona de Boston) estava em todo o lado. O tablóide "Boston Herald" sugere que Affleck poderá seguir o caminho de outros companheiros de profissão e entrar na política — candidatando-se ao cargo de senador que Kerry deixará vago se for eleito Presidente.

Onde está o "bounce"? 

É habitual que um candidato à presidência, especialmente quando não se trata de um Presidente já no cargo, dê um "salto" nas sondagens depois da convenção do seu partido. O fenómeno é conhecido como "bounce". Os estrategas republicanos estipularam uma meta muito alta para o "bounce" que John Kerry iria obter, uma meta quase inalcançável.

Os democratas, mesmo os mais optimistas, não esperavam que Kerry subisse muito depois da convenção de Boston. Os eleitores estão muitos divididos, estão a seguir a campanha com mais atenção do que é costume, e o número de indecisos é muito reduzido. Com efeito, o "bounce" pós-convenção foi muito reduzido: segundo sondagens Gallup e
CBS, Kerry subiu um pouco, mas quase nada. A diferença entre Kerry e Bush continua dentro da margem de erro das sondagens.

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