<$BlogRSDURL$>

30.4.04

Kerry lava mais branco 

O “New York Times” publica hoje um artigo em que vários líderes políticos negros e hispânicos se queixam de que a campanha de John Kerry é demasiado branca. Dentro do Partido Democrata, que nas últimas décadas se tornou no partido das minorias étnicas e raciais dos EUA, isto é uma acusação incómoda.

Os líderes negros e hispânicos queixam-se de ser postos de parte, e suspeitam que os principais responsáveis democratas dão como facto adquirido de que negros e hispânicos vão votar em Kerry. Carlos Watson, um dos melhores analistas políticos na imprensa americana, já tinha dado pelo problema na sua coluna de há duas semanas.

O factor Jesus 

O canal televisivo público americano (PBS) exibe esta noite um documentário sobre como as crenças religiosas de George W. Bush influenciam a sua actuação política. “The Jesus Factor” também poderá ser visto fora da América a partir de amanhã no site na Internet do programa.

29.4.04

O mata-20 

A campanha de John Kerry divulgou “às pinguinhas” o seu “dossier” militar, depois de uma controvérsia levantada por críticos republicanos sobre as feridas sofridas pelo candidato democrata no Vietname. Kerry, então com 25 anos, passou cinco meses em 1968 num barco-patrulha no Vietname, uma das missões mais perigosas dessa guerra.

Um dado do “dossier” que não tem recebido grande atenção mediática aparece num documento da Marinha de 1969, reproduzido no site Smoking Gun. Uma análise muito elogiosa da sua actuação no campo de batalha estima que ele tenha matado 20 inimigos.

O próprio documento nota que a estimativa é “oficiosa”. Em todo caso, é irónico que na campanha para as presidenciais seja George W. Bush (que cumpriu o serviço militar no Texas e no Alabama, e não terá matado ninguém) que aparece como o candidato “duro” em termos militares, e Kerry que seja visto como mais condescendente e conciliador.



Sondagem: Bush cada vez menos popular 

Uma sondagem CBS-“New York Times” revela que os americanos estão cada vez mais desiludidos com a “performance“ de George W. Bush. Os interrogados mostraram-se sobretudo cada vez mais pessimistas sobre a evolução da situação no Iraque.

Segundo o estudo, a opinião pública americana tornou-se muito mais negativa sobre a guerra no Iraque e a actuação de Bush na sua gestão. Os números mostram uma descida marcada na atitude dos americanos para com a política iraquiana de Bush em relação a estudos semelhantes de há um ano. E em outras áreas (economia, diplomacia), as notas dos americanos ao seu Presidente também são cada vez piores. O seu nível geral de popularidade está em 46 por cento, o mais baixo desde que tomou posse em 2001.

E no entanto todas estas más notícias para Bush não parecem ter grande efeito na corrida eleitoral. A mesma sondagem revela que Kerry tem 46 por cento de intenções de voto, para 44 por cento de Bush. Mas contando com o candidato independente Ralph Nader, a situação inverte-se: Bush tem 43 por cento, Kerry 41 por cento, e Nader 5 por cento. Como ambas as diferenças estão bem dentro da margem de erro, a situação continua a ser de empate técnico entre Bush e Kerry.

Bush testemunha 

George W. Bush e o seu vice-presidente Dick Cheney testemunharam hoje perante a comissão independente que investiga o 11 de Setembro. Mas será difícil saber ao certo o que Bush e Cheney disseram, por causa das várias restrições impostas pelos dois como condição para comparecer. A audiência foi fechada; nenhum registo foi feito do interrogatório; Bush e Cheney depuseram sem estar sob juramento.

28.4.04

Gore dá uma ajuda 

Das duas primeiras vezes que Al Gore fez intervenções públicas importantes na actual campanha, a coisa não lhe correu bem. Primeiro, declarou que não se ia candidatar, colocando-se a si próprio na “prateleira” do Partido Democrata. Depois, deu o seu apoio ao então favorito Howard Dean — cuja campanha imediatamente a seguir entrou numa vertiginosa decadência.

Agora, Gore vai oferecer mais de seis milhões de dólares dos fundos da sua campanha de 2000, para ajudar Kerry a bater o homem que derrotou Gore nesse ano — George W. Bush.




27.4.04

Vem aí o livro de Clinton 

Há mais de dois anos que Bill Clinton trabalha na sua autobiografia. O texto ainda não está concluído, mas a data de publicação está marcada para Junho. O livro vai-se chamar “My Life”, e a tiragem da primeira edição será de 1,5 milhões de cópias — mais ainda que a autobiografia da sua mulher, que foi um enorme êxito editorial.

A data da publicação tem muito que se lhe diga. Clinton, famoso pela sua obsessão por detalhes, lançou-se apaixonadamente ao trabalho de escrever a sua biografia. A imprensa americana relatou que o ex-Presidente discutia passagens com os seus amigos, e que escreveu detalhadamente sobre a sua infância e adolescência. Tudo isso atrasou a publicação.

A campanha de John Kerry começou a preocupar-se: se Clinton demorasse demais, havia o risco de o seu livro roubar a atenção mediática. Os democratas pressionaram Clinton a apressar o mais possível a edição da autobiografia, para não ofuscar Kerry.



Teresa, o molho secreto 

A revista “Newsweek” traz um longo artigo sobre a mulher de John Kerry. A “Newsweek” descreve Teresa Heinz Kerry (de ascendência portuguesa) como “o molho secreto” do candidato democrata.

26.4.04

É o fim do mundo 

No próximo mês estreia “The Day After Tomorrow”, um filme de Roland Emmerich (autor de “Independence Day”) sobre as potenciais consequências catastróficas da aceleração do aquecimento global. O filme é um “blockbuster” com grandes efeitos especiais, e não tem pretensões políticas nem cientificas.

Mas a Administração Bush leva o filme a sério. A actual equipa na Casa Branca considera as preocupações sobre aquecimento global exageros alarmistas, e tem-se recusado a assinar tratados internacionais de redução de emissões poluentes. Por isso, a Administração proibiu os funcionários de agências federais de comentar o filme, receando que “The Day After Tomorrow” possa servir de pretexto para críticas às políticas ambientais de George W. Bush.

Como funcionam as sondagens 

Todas as semanas saem novos estudos de opinião que revelam quem vai à frente na corrida à presidência americana. Ora vai Bush à frente, ora vai Kerry, ora sobe um, ora sobe outro. A multiplicação de sondagens, com resultados diferenciados, pode confundir os observadores. Este artigo do "Gadflyer" explica de uma forma simples e sucinta as principais questões sobre como funcionam as sondagens políticas.

Conselhos para os democratas 

Samuel Berger, conselheiro de Segurança Nacional na segunda Administração Clinton, escreve na revista “Foreign Affairs” um longo artigo delineando o que deve ser a política externa de um Presidente democrata que suceda a George W. Bush. O principal conselho — o regresso ao multilateralismo.

As medalhas de Kerry 

Uma polémica de mais de 30 anos ressuscitada: Kerry deitou fora ou não as suas medalhas do Vietname num protesto anti-guerra de 1971?

25.4.04

Mais aborto 

John Kerry tem um problema com a questão do aborto; a sua posição é “pro-choice”, mas ao mesmo tempo ele diz-se católico praticante. A sua rejeição da doutrina do Vaticano valeu-lhe fortes críticas de um cardeal americano em Roma, que disse que Kerry não era digno de comungar.

Mas ontem Kerry foi à missa em Boston, e recebeu a comunhão na mesma. O arcebispo de Boston apontou que não é prática da sua diocese recusar a comunhão a ninguém.


Aborto de volta 

O aborto é um tema que os candidatos às presidenciais preferem evitar — demasiado controverso, num país profundamente dividido sobre o direito a abortar. Mas os activistas dos dois lados querem que a questão seja discutida — e os grupos “pro-choice” vão fazer hoje em Washington uma manifestação com centenas de milhares de pessoas.

23.4.04

Rumsfeld vai continuar 

O "New York Times” afiança que Donald Rumsfeld deverá manter-se no cargo de secretário da Defesa se George W. Bush (pelo contrário, o secretário de Estado Colin Powell já garantiu que não fica para um segundo mandato). Rumsfeld disse ontem ao “Washington Times” que a situação no Iraque não justifica de forma alguma pensar em reinstituir o serviço militar obrigatório nos EUA.

As fotos dos caixões 

Há um ano que parte da imprensa americana se queixa da política do Pentágono de proibir a publicação de fotografias de caixões de soldados americanos mortos no Iraque. Na quinta-feira, o site The Memory Hole publicou centenas de fotos tiradas pelo próprio Departamento de Defesa na morgue militar de Dover, no Delaware.

Não se trata de furar o bloqueio — o dono do Memory Hole obteve licença para publicar as fotos no que o Pentágono descreveu como um “erro burocrático” (a proibição já foi reinstaurada).

Tem sido difícil o acesso ao Memory Hole (um site relativamente obscuro), provavelmente por excesso de utilizadores. Mas quase toda a imprensa americana publicou as fotos que aparecem no site; elas podem ser vistas por exemplo aqui.

21.4.04

As feridas de Kerry 

Havia nas campanhas políticas americanas assuntos considerados mais ou menos sagrados. Por exemplo, ninguém se atreveria a questionar a bravura de um herói de guerra. Mas os tempos mudaram, e a campanha de 2004 será a mais agressiva e “suja” de sempre.

Isto vem a propósito do novo debate sobre as feridas de John Kerry no Vietname. O candidato democrata serviu a Marinha americana por quatro meses no Vietname; foi ferido três vezes, o que motivou a sua desmobilização.

Como Kerry se refere constantemente ao seu passado no Vietname, os seus críticos estão a questionar a gravidade dos seus ferimentos. Alguns citam oficiais da época que descreveram uma das feridas de Kerry como comparável a “uma unha encravada”. A campanha de Kerry viu-se obrigada a divulgar os registos militares do candidato (documento em PDF).




A mão direita de Bush 

Dick Cheney é considerado um dos vice-presidentes com mais influência na história recente dos EUA. Mas Cheney não aparece muito nas notícias — aliás, as referências da Casa Branca à sua “localização desconhecida” tornou-se numa piada recorrente nos últimos dois anos.

Mas as intervenções públicas de Cheney são fulcrais, e claramente direccionadas. A missão do vice-presidente parece ser falar para os eleitorados mais à direita no Partido Republicano. A base de apoio mais conservadora de Bush acha que a actual Casa Branca tem desvios excessivos para o centro; ora, o próprio Bush não pode tranquilizá-la directamente com discursos públicos, por receio de ostracizar eleitores mais moderados.

Por isso, Cheney tornou-se na mão direita de Bush; o vice-presidente é despachado para animar as hostes mais conservadoras — como os “lobbies” anti-aborto ou pró-armas.



20.4.04

Lavagem cerebral? 

Há décadas que os peritos em ciência política tentam aperfeiçoar as técnicas para estudar o comportamento dos eleitores. A neurociência dá agora uma ajuda. O “New York Times” relata que dois cientistas da Califórnia estão a usar máquinas de ressonância magnética nuclear para estudar as reacções cerebrais de indivíduos a anúncios televisivos políticos.

Aparentemente, as reacções dependem de se gostar ou não do candidato que aparece no anúncio. O mesmo “spot” de George W. Bush, exibido a indivíduos democratas e republicanos, suscitou respostas diferentes. São usadas partes diferentes do cérebro por pessoas que aprovam ou que discordam das ideias do candidato.

As aplicações são imprevisíveis — será possivel desenvolver tecnologias de lavagem cerebral literal do eleitorado? E será que republicanos e democratas têm de facto cérebros diferentes?

Esta é a sobrinha 

A “top model” Lauren Bush é a nova porta-voz honorária do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas. O que é que isso tem a ver com as presidenciais americanas? Muito pouco, excepto que Lauren é sobrinha de um dos candidatos.

19.4.04

Uma tecnologia devastadora 

Vários observadores já notaram que no actual ciclo eleitoral americano tem havido uma tecnologia de comunicação acima de todas as outras a marcar a agenda política. Mais do que a Internet ou até a televisão, tem através desta tecnologia que têm começado muitos dos grandes debates

Essa tecnologia é: o livro. O exemplo mais recente foi a obra de Bob Woodward sobre como a Administração Bush tomou decisões sobre a guerra no Iraque.

Mas outros livros têm definido a agenda política: sejam as inconfidências de Paul O'Neill ou Richard Clarke sobre o seu antigo patrão, a narrativa de Hans Blix sobre as inspecções no Iraque ou uma série de outras obras sobre a Administração Bush, escrever um livro tem sido a forma mais eficaz de lançar um debate.



Sondagem: estudantes com Kerry 

O “Harvard Crimson” cita uma sondagem a estudantes universitários, que conclui que John Kerry é mais popular que George W. Bush neste segmento da população. Mas a mesma sondagem também nota que a maioria dos estudantes se definem como “independentes” — não como democratas ou republicanos.

18.4.04

Teresa não mostra os impostos 

A mulher do candidato democrata à presidência, Teresa Heinz Kerry (de ascendência portuguesa), recusa-se a tornar públicas as suas declarações de impostos. A lei eleitoral americana não a obriga a isso, mas o gesto pode cair mal num meio político que privilegia a transparência.



Plano de ataque 

O novo livro do jornalista Bob Woodward está a criar uma tempestade política em Washington, com as suas revelações sobre como e quando George W. Bush começou a planear a invasão do Iraque.

“Plan of Attack” chega amanhã às livrarias americanas. Mas é possível ler excertos do livro no jornal para que Woodward trabalha, o “Washington Post”.

Kerry, o republicano 

John Kerry frequentou a prestigiada Universidade de Yale, e nessa altura já dava sinais do seu interesse na política activa. Segundo o seu livro de curso, Kerry até fez parte da juventude partidária… do Partido Republicano.

Na listagem de Kerry, entre as suas afiliações aparece o Yale Young Republicans Club. Mas é provavelmente uma brincadeira, ou então um erro de impressão. Kerry, que estudou ciência política em Yale, já era na altura um democrata convicto, e fazia parte da organização política dos democratas no “campus” universitário.

A brincadeira não terá consequências, mas serve para recordar que outro ilustre político americano, que passou por Yale na mesma altura que Kerry e tinha tendências políticas completamente diferentes, também não foi membro do clube dos “jovens republicanos”. Isto porque esse político, na altura, “dava mais atenção” às actividades de “cheerleading”, de acordo com os seus amigos.

16.4.04

Uma eleição que gostaríamos de ver 

Possibilidade nas presidenciais americanas de 2008: Arnold Schwarzenegger versus Jesse Ventura.

Gideon Yago, a política para a juventude 

Será boa ideia que as ideias políticas de uma geração de eleitores sejam formadas pela MTV?

À medida que os canais televisivos tradicionais perdem audiências, sobretudo entre as camadas demográficas mais jovens, cada vez mais pessoas recebem as suas notícias através de programas como o Daily Show.

Uma das estrelas menos convencionais do jornalismo político americano é Gideon Yago, da MTV. Ele já entrevistou George W. Bush e John Kerry, entre outras figuras importantes que não resistiram ao apelo da MTV, e há quem ache que ele é actualmente mais influente que Dan Rather, o super-veterano “pivot” da televisão CBS.

Há quem, como o “Village Voice”, ache que o fenómeno Yago é bom.

NRA em pé de guerra 

A NRA (National Rifle Association, o “lobby” pró-armas dos EUA) é um dos grupos de interesses mais poderosos dos EUA. Numa demonstração da sua influência, 60 mil dos quatro milhões de membros desta organização vão reunir-se esta semana num congresso em Pittsburgh.

E qual será o grande tema do congresso? Como habitualmente, uma discussão das ameaças de imposição de leis de controlo da venda de armas. A NRA acredita ferozmente que o direito à posse de armas é absoluto e garantido pela Constituição americana.

Apesar de sinais de que a NRA não está totalmente satisfeita com as políticas de George W. Bush (a NRA preferiria uma abordagem mais de “linha dura”), não há qualquer dúvida de que o actual Presidente é para a organização um candidato muito preferível a John Kerry. Um dos objectivos da convenção será precisamente lançar a campanha de apoio da NRA a George W. Bush; amanhã, o vice-presidente Dick Cheney será um dos oradores do congresso.

E a NRA leva muito a sério o seu esforço de propaganda. A organização criou uma empresa que irá produzir um “talk-show” diário na Internet, e pretende também comprar estações de rádio e televisão para espalhar a sua mensagem.

Bon Jovi na primeira parte 

Há muitos anos que Jon Bon Jovi não faz primeiras partes de outros artistas — mas o “rocker” voluntariou-se para actuar depois do cabeça de cartaz na “tournée” eleitoral de John Kerry. Bon Jovi apareceu numa série de comícios na Costa Leste com Kerry. Segundo este artigo, os dois até têm mais em comum do que parece.

15.4.04

O problema católico 

Em 1960, quando John F. Kennedy foi eleito para a presidência dos EUA, falava-se no seu “problema católico”: nunca nenhum católico tinha sido eleito Presidente, e havia acusações de que Kennedy iria “receber as suas ordens do papa”. Kennedy ganhou, e ficou demonstrado que os EUA (onde a maioria da população é protestante) não se importam de eleger presidentes de seja que religião for (mais difícil seria eleger um ateu, mas isso é outra história).

John Kerry também é católico. Mas ele também poderá ter o seu “problema católico”, segundo o “Weekly Standard”; é que muitas das posições de Kerry (sobre o aborto por exemplo) são contrárias à doutrina católica. Há quem pense que o Vaticano vai votar Bush.


As tribos de Kerry 

Qualquer candidato à presidência é rodeado por uma série de facções que tentam arrastá-lo numa ou noutra direcção. A revista online Slate traz um artigo em que pinta em traços grossos as sete tribos que tentam captar a atenção de Kerry.




13.4.04

A estratégia de Kerry 

Há vários meses que John Kerry critica as políticas de George W. Bush para o Iraque e sugere alternativas. Hoje o “Washington Post” publica um artigo de opinião do próprio Kerry, em que ele descreve sucintamente a sua estratégia.


A teoria do filho dos Rosenberg 

A edição desta semana da “Pública” inclui um artigo sobre o filho dos Rosenberg. Robert Meeropol discorreu sobre a sua experiência como orfão do casal executado nos anos 50 portraição, no mais controverso dos casos de espionagem da história dos EUA.

Por razões de espaço, teve de ficar de fora a teoria de Meeropol sobre as presidenciais de 2000. O PÚBLICO perguntou-lhe se ele tencionava votar nas eleições de Novembro próximo (no seu livro, Meeropol exprime desconfiança sobre o processo eleitoral americano). Esta foi a sua resposta:

Eu voto. Há quatro anos, votei [em Ralph] Nader. Temos um sistema tão bizarro que não fez diferença, Al Gore ia ganhar na mesma no Massachusetts [estado onde Meeropol vive]. Se vivesse na Florida, tinha votado Nader na mesma.

Na altura, achava mais importante o Partido Verde ter cinco por cento que Gore ganhar [se os Verdes de Nader alcançassem cinco por cento dos votos, teriam direito neste ciclo eleitoral a financiamentos do Estado e a participar nos debates televisivos].

Estava errado. Os Verdes nunca teriam os cinco por cento, a menos que eu votasse outros três milhões de vezes.

Se Gore tivesse ganho, acho que o 11 de Setembro aconteceria na mesma. Talvez o Patriot Act [pacote legislativo de segurança proposto por George W. Bush, muito criticado por defensores das liberdades cívicas] tivesse sido menos forte, e não acho que tivéssemos invadido o Iraque.

Mas por outro lado, se Gore fosse Presidente, e o 11 de Setembro tivesse acontecido depois de nove anos de Gore e Clinton na presidência, os republicanos tinham culpado os democratas de tudo. Teriam sido derrotados a toda a linha [nas eleições parlamentares], e agora o Congresso estava ainda mais dominado por eles.

Hoje, Bush era candidato outra vez, e ganhava facilmente. Tínhamos um país ainda mais dominado pelos republicanos.


Apesar desta teoria, Meeropol conta votar em John Kerry em Setembro.

12.4.04

Dean apela a Nader 

Howard Dean foi durante mais de seis meses o grande favorito a obter a nomeação democrata. Foi derrotado, criou a sua própria organização de bases, mas promete ajudar John Kerry a derrotar George W. Bush. Dean, cujos apoiantes têm muitos pontos em comum com o eleitorado de Ralph Nader, tenta agora convencer o candidato independente a “não cometer os erros do passado”.

Num artigo de opinião no “New York Times”, Dean apela a Nader e aos seus apoiantes que recordem as eleições de 2000, e não contribuam para uma nova vitória de Bush.

11.4.04

Humor negro 

Houve quem criticasse George W. Bush por cumprir a tradição de fazer um discurso humorístico no jantar dos correspondentes de imprensa em Washington com piadas sobre o Iraque. O assunto ainda não foi esquecido. Este vídeo é uma sátira às piadas de Bush.

Make love, not war 

A Slate.com tem uma explicação maliciosa mas interessante para como é que o vice-presidente americano, Dick Cheney, evitou servir na guerra do Vietname.


9.4.04

Quem quer ser candidato? 

Hoje é o último dia para apresentação de candidaturas a um novo “reality show”: American Candidate. Uma dúzia de concorrentes serão escolhidos para conduzir uma campanha eleitoral à presidência — e, ao estilo “Big Brother”, todas as semanas um deles será eliminado.

O programa será exibido no canal Showtime nos EUA, a partir de Agosto. No final de Outubro, pouco antes da eleição a sério, só restarão dois concorrentes — o vencedor ganhará 200 mil dólares (165 mil euros) e terá direito a fazer um discurso em directo na televisão. De acordo com as regras, nenhum dos participantes pode candidatar-se à eleição a sério. E é pouco provável que algum deles se torne numa figura pública — o Showtime é um canal codificado por cabo, com um número limitado de assinantes.


Os impostos de Kerry 

Perante a enorme atenção mediática à volta do depoimento de Condoleezza Rice à comissão do 11 de Setembro, passou quase despercebido um discurso de John Kerry sobre política financeira. O candidato democrata prometeu reformas fiscais e um orçamento equilibrado.



Sondagem: ainda tudo empatado 

Nas últimas semanas, o panorama é sempre o mesmo: em quase todas as sondagens, George W. Bush e John Kerry aparecem virtualmente empatados, ora um ora outro à frente, mas sempre com uma diferença dentro da margem de erro. Um novo estudo da Fox News volta a registar um empate. Um dado curioso, contudo: segundo a Fox, os eleitores de Bush são mais entusiásticos no apoio ao seu candidato que os de Kerry.



8.4.04

Bush 41 não queria a guerra de Bush 43? 

Têm saído nos EUA avalanches de livros sobre a Administração Bush. Mais um, desta vez sobre a “dinastia Bush”. O livro de Peter e Rochelle Schweitzer traz contudo uma revelação curiosa: a actual guerra no Iraque não era do agrado de Bush 41 (o número é brincadeira de família: os Bush gostam de referir George H. Bush, o pai, como Bush 41, porque foi o 41º Presidente dos EUA; George W. Bush, o filho, é Bush 43).

Os autores escrevem que Bush 41 teve sérias dúvidas sobre lançar um ataque contra Saddam Hussein. A Casa Branca, contudo, desmente e diz que Bush-pai nunca teve dúvidas.

Bush vê Condi na televisão 

A conselheira de Segurança Nacional dos EUA, Condoleezza Rice está neste momento a testemunhar perante a comissão do 11 de Setembro. É uma audiência importante, que está a ser transmitida em directo por todas as “networks” televisivas dos EUA. Uma porta-voz da Casa Branca disse que George W. Bush está também a seguir a audiência pela TV, a partir do seu rancho no Texas. O testemunho de Rice pode ser visto em directo aqui.

7.4.04

Nader quer “impeachment” 

Ralph Nader acha que há bases para destituir George W. Bush do seu cargo. O candidato independente afirma que houve um processo de “impeachment” contra Bill Clinton “por muito menos”. Mas um “impeachment” de Bush não acontecerá tão cedo — o Congresso americano não está para aí virado.

O aborto em Portugal 

O aborto é um dos temas que mais dividem a sociedade americana. É tão controverso que a maior parte dos políticos prefere não falar dele em campanha, mas o debate acaba sempre por fazer parte de qualquer corrida à Casa Branca. Há outros países onde o aborto desperta um debate aceso — o colunista do “New York Times” Nicholas Krystof visitou um deles para comentar a posição de George W. Bush sobre o aborto.

6.4.04

A máquina de ataque anti-Kerry 

Rush Limbaugh é um locutor de rádio assumidamente de direita, com uma vasta audiência nos EUA. Limbaugh é naturalmente a favor de Bush nas próximas eleições, mas será mais correcto dize que ele é anti-Kerry.

O próprio Limbaugh define-se como uma “máquina de ataque de direita”; no seu site há uma secção especial com uma colecção de notícias anti-Kerry (é necessário um registo gratuito para lhes aceder). A acusação mais típica de Limbaugh a Kerry: “Tem cara de francês.”


Era uma vez um escudo anti-mísseis 

Parece uma coisa muito longínqua, mas a primeira grande crítica a George W. Bush foi a sua confiança inabalável na criação de um sistema de defesa anti-mísseis. Entretanto passou-se muito tempo, e o assunto saiu da agenda noticiosa, mas o
Gadflyer faz uma história crítica da “guerra das estrelas” de Bush.

5.4.04

Boston vai ser uma confusão 

Este blog já tinha dado conta de como a convenção democrata, que se realizará no fim de Julho em Boston, tem os seus inconvenientes para os residentes locais.

Agora, a Associated Press dá conta de uma série de outras complicações na organização da festa que irá oficialmente nomear John Kerry como o candidato democrata à presidência.

As coisas complicam-se porque Kerry é senador pelo Massachusetts, o estado cuja maior cidade é Boston, e cujo actual governador é Mitt Romney, um republicano. As desavenças logísticas podem tornar-se num pretexto para uma briga política.

Como é verde o meu Bush 

Um dos aspectos inicialmente mais controversos de George W. Bush era a sua política ambiental. O terrorismo e a guerra empurraram a ecologia para o lado na agenda mediática, mas ainda há muita gente para quem o lado mais negativo da Administração Bush é a sua estratégia ambiental.

Por exemplo, o site Bush GreenWatch, financiado pela rede de activistas MoveOn.org. Mas o debate sobre a ecologia tem dois lados — e da mesma forma que o Bush GreenWatch ataca Bush, também há quem o defenda.

Republicanos por Nader? 

Ralph Nader é um activista politicamente conotado com a extrema esquerda americana. Os democratas preocupam-se que ele possa desviar votos de Kerry em número suficiente para dar a vitória a George W. Bush, tal como pode ter sucedido em 2000.

Ora, Nader tem entre os seus apoiantes algumas figuras próximas do Partido Republicano. Estes garantem que estão com Nader porque sentem afinidades com o candidato, não para dinamitar a candidatura de Kerry, mas é difícil não imaginar que os “republicanos por Nader” tenham segundas intenções.

A busca do vice 

Nas próximas semanas, John Kerry deverá anunciar quem é o seu candidato à vice-presidência. A busca continua; a campanha de Kerry tem entrevistado várias das figuras que potencialmente poderão ser o “número dois” do candidato democrata. Mas ainda não há um favorito claro.




4.4.04

Republicanos atrás dos jovens 

O “Boston Globe” explica como e porque é que o o Partido Republicano está a tentar captar o voto jovem.

3.4.04

Bush já não tem compaixão 

Pelo menos é essa a conclusão de uma sondagem do “Washington Post” sobre se Bush ainda é um “conservador com compaixão”.

2.4.04

O menino que bocejou 

Este blog normalmente não publicaria links como este. (nota: este link inicia o download de um vídeo; é necessário o Real Player para o ver)

Mas o vídeo é engraçado, e a história que se lhe seguiu mais engraçada ainda. David Letterman mostrou no seu “talk-show” televisivo na CBS imagens de um discurso de George W. Bush, com um garoto de 13 anos a bocejar e a olhar para o relógio com o ar mais aborrecido do mundo.

No dia seguinte, a CNN mostrou o vídeo — e acrescentou que uma “fonte da Casa Branca” havia explicado que o “clip” era uma montagem, que o garoto não estava lá, era tudo uma brincadeira. Letterman reagiu furioso, garantindo que o vídeo e o rapaz eram totalmente verdadeiros.

A CNN voltou atrás, e pediu desculpas a Letterman (o colunista do “New York Times” Paul Krugman explica e comenta esta história no seu artigo de hoje).

As imagens do puto bocejante já deram a volta à Internet; o vídeo é mais difícil de encontrar, mas este blog deu com ele, e aqui está o link outra vez.

O míudo, Tyler Crotty, é filho de um importante angariador de fundos republicano. Segundo o Washington Post, a Casa Branca está a gerir o acesso ao rapaz — e ele vai aparecer, com o pai, no “show” de Letterman esta noite. Caso ainda não tenha clicado, aqui está o link para o vídeo do menino que bocejou.

Democratas interferem com NBA 

A convenção democrata, onde John Kerry será oficialmente nomeado candidato à presidência do partido, realiza-se em Boston, um bastião dos democratas. O local exacto é o Fleet Center, onde joga a equipa de basquetebol dos Boston Celtics.

Ora, no final de Julho, quando se realiza a convenção, a época da NBA já terá terminado há muito tempo. Mas os Celtics costumam usar esta altura do ano para um torneio de Verão, onde são avaliados novos talentos. Este ano, o torneio vai ter de ser cancelado.



1.4.04

Há mais eleições 

A atenção na vida política americana está inevitavelmente centrada na corrida presidencial, mas em Novembro haverá também eleições para as duas câmaras do Congresso — vão a votos todos os 435 membros da Câmara de Representantes e um terço dos 100 membros do Senado.

As eleições parlamentares têm menos visibilidade, mas são tão importantes como as presidenciais — afinal, o Presidente é a figura com maior autoridade nos EUA, mas quase todas as suas decisões têm de passar pelo crivo do Congresso. John Aldritch explica neste artigo como funcionam e qual a relevância das eleições para o Congresso.


Onde está Kerry? 

Neste momento deve estar num hospital em Boston, numa cirurgia ao ombro que o deve deixar fora de combate até domingo. Na semana passada, esteve alguns dias de férias na sua casa no Idaho. Entretanto, a actualidade política americana tem sido dominada por temas que não a sua candidatura — a nova violência no Iraque, as audiências da comissão que investiga o 11 de Setembro.

Pode-se argumentar que, a sete meses das eleições, ser discreto não faz mal a Kerry, particularmente numa altura em que a Administração Bush enfrenta críticas de vários sectores. Mas uma análise do “New York Times” considera que as ausências de Kerry o podem prejudicar.



This page is powered by Blogger. Isn't yours?