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31.3.04

Air America no ar  

A rádio Air America começou as suas emissões há sete minutos. É a primeira rádio americana especializada em “talk radio” de esquerda — no fim-de-semana, o PÚBLICO incluirá um artigo a explicar os objectivos da Air America.

As primeiras palavras da nova rádio vieram do comediante Al Franken: “Em directo de um ‘bunker’, dez metros abaixo do ‘bunker’ de Dick Cheney.” Por agora, a Air America só é captada em cinco cidades americanas — mas também tem um “feed” na Internet. As emissões podem ser ouvidas aqui.


Pior que Nixon? 

John Dean foi conselheiro de Richard Nixon, e era uma das figuras mais importantes da Casa Branca no tempo do caso Watergate. Amanhã chega às livrarias dos EUA um livro, "Worse than Watergate”, em que Dean argumenta que os pecados da Administração Bush são mais graves que os de Nixon.


Ainda os preços da gasolina 

À medida que os preços do combustível aumentam, o custo da gasolina continua na agenda política. As campanhas de Bush e Kerry trocam acusações sobre de quem é a culpa de o galão (3,8 litros) de gasolina estar a ultrapassar os dois dólares.



30.3.04

Kerry na MTV 

Bill Clinton usou a MTV para comunicar com o eleitorado mais jovem, presenteando os “teens” americanos com revelações sobre a sua roupa interior e com o seu talento no saxofone. A MTV tem uma nova campanha para incentivar os jovens americanos a votar, e agora foi John Kerry a aparecer perante as suas câmaras.


Kerry, o amigo dos carecas 

A longa carreira de John Kerry incluiu vários anos como advogado, em firmas privadas e no ministério público, na cidade de Boston. A campanha de Kerry não dá grande ênfase a esta parte da sua vida, e os seus inimigos também não têm atacado o seu currículo enquanto jurista.

Mas os tempos de Kerry enquanto advogado têm histórias curiosas. Por exemplo, entre 1979 e 1982, Kerry foi um defensor dos carecas. A revista “Newsweek” recorda que Kerry esteve envolvido numa série de casos de homens que colocaram processos a médicos que faziam implantes de cabelo.

Esses implantes usavam um método controverso e perigoso, que funcionava mal. Kerry trabalhou numa série de casos, garantindo indemnizações às vítimas.

Os americanos que sofrem de perda de cabelo não constituem exactamente um eleitorado significativo — mas são muitos, pelo menos 40 milhões de homens e 20 milhões de mulheres.

29.3.04

Não invocarás o nome do Senhor teu Deus em vão? 

John Kerry usou uma passagem da Bíblia para criticar George W. Bush e a sua Administração. Os republicanos responderam irados à referência religiosa. Amy Sullivan, uma especialista na relação entre política e religião, analisa de forma devastadora a reacção dos aliados de Bush.




E será que funciona? 

Segundo este artigo da "PC World”, as campanhas de John Kerry e George W. Bush estão a recorrer a uma nova arma de propaganda — o "spam".

28.3.04

Karen volta à luta 

Karen Hughes era a directora de comunicações de George W. Bush, uma das figuras que o acompanhou desde o início da sua carreira política e que era encarada como uma das suas principais conselheiras. Hughes publicou recentemente um livro a contar a sua experiência.

Mas Hughes cansou-se depressa da vida em Washington, e em 2002 regressou ao Texas. Agora, com a campanha presidencial a aquecer, Hughes volta a aconselhar George W. Bush.



27.3.04

Kerry vs. Kerry, com narração de Don King 

O site do comité nacional do Partido Republicano oferece um jogo, que pretende criticar as contradições de John Kerry. O jogo chama-se Kerry vs. Kerry, e a versão 2.0 oferece um atractivo extra — narração do magnata do boxe (ex-manager de Mike Tyson) Don King.

Ben e Leonardo com Kerry 

John Kerry vai à Califórnia para angariar fundos. Para o ajudar, conta com a companhia de várias celebridades de Hollywood — entre as quais os actores Leonardo di Caprio e Ben Affleck.


A importância do Daily Show 

Outro facto curioso revelado pelo estudo do Pew Research Center é que muitos americanos acompanham o noticiário político através de “talk shows” televisivos de comédia — como os de David Letterman, Jay Leno, ou Jon Stewart.

O Daily Show em particular tornou-se num programa de culto. Muitos políticos importantes submetem-se a entrevistas com Jon Stewart — todos os candidatos democratas passaram por lá (com excepção do eventual nomeado, John Kerry, que ainda não foi ao programa).

É interessante que um dos mais respeitados programas jornalísticos dos EUA hoje em dia seja um “show” satírico. Mas, se o Daily Show é assumidamente pseudo-jornalismo, não há dúvidas de que é pseudo-jornalismo de qualidade. Este blog acrescentou um link.

Como os americanos olham para as notícias políticas 

Este vasto e fascinante estudo do Pew Research Center quantifica uma série de tendências na forma como os americanos se relacionam com a informação política. Eis algumas das conclusões mais interessantes:

•A imprensa escrita e as “networks” (canais televisivos em sinal aberto) estão a perder terreno para a televisão por cabo e para a Internet como fonte de notícias políticas.

•A televisão continua a ser de longe o meio mais influente para os americanos.

•O público americano, de todos os quadrantes políticos mas sobretudo os democratas, está cada vez mais cínico em relação à independência dos “media”.

•A maioria dos americanos, sobretudo os mais jovens, não sabe muito sobre os temas de campanha nem sobre os candidatos.

Bush para a rua na matrícula não pode ser 

Cada um dos 50 estados americanos tem a sua direcção geral de viação, que emite as suas próprias matrículas automóveis. Mas todos permitem a prática das “matrículas personalizadas” — um cidadão pode pedir, pagando uma soma adicional e dentro de certos limites, que a sua matrícula inclua uma mensagem da sua escolha.

Um cidadão do estado de Nova Iorque decidiu usar as oito letras da sua matrícula para uma mensagem política — DUMPBUSH (“Bush para a rua”). Mas, como conta o “New York Times”, a direcção de viação nova-iorquina não lho permitiu.

26.3.04

Sondagem: ainda tudo empatado 

O instituto Rasmussen mantém uma “tracking poll”— uma sondagem cujos resultados são actualizados diariamente. E segundo estes números, a diferença entre Bush e Kerry tem estado e continua dentro da margem de erro.



Republicanos por Kerry 

George W. Bush uniu a direita americana à sua volta, mas hostilizou alguns dos elementos mais moderados do seu partido. Há grupos como este de republicanos que se sentem desiludidos com o extremismo de Bush e contemplam votar em John Kerry. Será possível que estes republicanos por Kerry possam ter influência no resultado das eleições?




Combater fogo com fogo 

O “Washington Post” explica como a Casa Branca ficou furiosa com as revelações de Richard A. Clarke, e de como está a ripostar.

25.3.04

Dean com Kerry 

Durante quase todo o ano de 2003, Howard Dean foi o favorito a obter a nomeação democrata. Acabou por perder a corrida para John Kerry. Dean prometeu manter-se na vida política americana através de um novo movimento, a que colocou o nome Democracy for America
Agora, Dean deu oficialmente o seu apoio a Kerry.

Pelos menos dá para rir 

Todos os anos realiza-se em Washington o jantar da associação de jornalistas de televisão e rádio, cujos convidados incluem sempre grandes figuras políticas americanas — incluindo o Presidente, que se vê obrigado a fazer uma actuação de “stand up” fazendo pouco de si próprio.

George W. Bush fez o discurso da ordem ontem à noite, brincando com as armas de destruição maciça (ADM) — a sua “performance” incluiu slides de Bush e do seu vice-presidente à procura de ADM nos cantos da Casa Branca — “elas têm de estar em algum lado”. Um colunista da MSNBC sugere um discurso alternativo.

24.3.04

O preço da gasolina 

A gasolina é muito barata nos EUA, em comparação com a Europa. Os preços variam imenso de região para região, mas mesmo nos sítios mais caros estão muito abaixo do que pagam os europeus. Em Nova Iorque, por exemplo, o preço de um galão (3,8 litros) de combustível sem chumbo anda entre 1,77 e 1,95 dólares — o que dá à volta de 0,5 euros por litro.

Mesmo tendo em conta que os automóveis americanos são menos económicos que os europeus, é um preço muito simpático. Mas apesar disso os consumidores americanos ficam furiosos quando vêem os preços da gasolina a subir. E o aumento do preço dos combustíveis pode ter influência na campanha presidencial.




Livros anti-Bush vendem bem 

Vários livros a denunciar as políticas de George W. Bush — e há muitos, de autores como Michael Moore, Paul Krugman, Molly Ivins ou Al Franken — atingiram nos últimos meses o cume das listas de “best sellers” nos EUA. A tendência não abrandou: os americanos continuam a comprar imensos livros que criticam a Administração, como o agora publicado "Against All Enemies", do ex-chefe de contra-terrorismo da Casa Branca Richard Clarke.

E as coisas ainda podem ficar piores para George W. Bush. Kitty Kelley, especialista em biografias “não autorizadas“ (livros demolidores e sensacionalistas sobre, por exemplo, Nancy Reagan ou Elizabeth Taylor), prepara-se para publicar um livro sobre a família Bush.

O buraco do Medicare 

O Medicare é um programa federal através do qual o estado dos EUA fornece assistência médica aos seus cidadãos mais idosos. Mais de 38 milhões de americanos são beneficiados por este programa; a pressão demográfica dos “baby boomers” vai aumentar ainda mais este número nos próximos anos.

As regras de financiamento e aplicação do Medicare são tão complicadas e misteriosa para a maioria dos americanos como para os estrangeiros. Mas a discussão sobre o futuro deste programa poderá tornar-se num dos grandes temas desta campanha eleitoral.

Segundo um relatório aqui analisado pelo “Washington Post”, o Medicare pode abrir falência dentro de 15 anos. O motivo? Um gigantesco aumento das suas despesas mandatado por uma lei de comparticipação de medicamentos proposta por George W. Bush.

A receita do DLC 

O Democratic Leadership Council (DLC) é a organização dos “Novos Democratas”, a tendência centrista do partido a partir da qual Bill Clinton lançou a sua primeira candidatura presidencial.

O DLC não apoiou nenhum candidato nas primárias democratas (embora fosse claramente hostil ao “radical” Howard Dean). Mas agora os fundadores do DLC, Al Frum e Bruce Reed, acham que têm a receita para a vitória de John Kerry. Estas são as cinco regras que Frum e Reed acham que o candidato democrata deve seguir.

Sondagem: tudo empatado 

Uma nova sondagem da Associated Press mostra George W. Bush e John Kerry muito próximos.

No estudo, Bush tem 46 por cento dos votos, Kerry 43 por cento. Menos de um terço dos eleitores diz já ter tomado a sua decisão definitivamente. A sondagem analisa ainda os pontos fortes e fracos de cada candidato — Bush tem uma boa imagem em questões de defesa e “liderança”, Kerry é mais forte em temas económicos.


23.3.04

11 de Setembro investigado 

A comissão parlamentar do Congresso dos EUA que investiga o ataque terrorista do 11 de Setembro está a questionar testemunhas. O Presidente Bush não será interrogado hoje, mas outras figuras importantes estão a ser interrogadas.

Já falou a ex-secretária de Estado Madeleine Albright; está agora a falar o actual chefe da diplomacia americana, Colin Powell; mais tarde é a vez do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, prestar testemunho. As audiências podem ser seguidas em directo via vídeo aqui.


21.3.04

O cérebro de Bush 

A Associated Press descreve neste artigo quem é o “núcleo duro” da campanha de George W. Bush. A figura de mais relevo é Karl Rove, o estratega texano que conduziu todas as campanhas políticas de George W. Bush.

Este livro pretende explicar a relação entre Bush e Rove; está prestes a ser lançado nos EUA um filme baseado nesta obra.






A Administração Bush vista por dentro 

Richard A. Clarke trabalhou durante várias décadas como perito em terrorismo para o Governo americano. Durante a Administração de Bill Clinton, foi dos primeiros a levantar preocupações sobre Osama bin Laden e a sua rede terrorista.

Clarke liderava uma “task-force” anti-terrorismo na altura do 11 de Setembro. Agora ele contou à televisão CBS as suas impressões sobre como a Administração de George W. Bush lidou com a ameaça; o retrato que ele pinta é muito pouco lisongeiro.

Crepúsculo dos "neocons"? 

Uma crítica ao livro de Richard Perle e David Frum no "Washington Monthly” acha que os "neoconservadores" estão em apuros. O artigo sugere que os "neocons" como Perle e Frum, acossados mesmo dentro da Administração Bush, podem perder a sua influência.

Quem dorme na Casa Branca 

Bill Clinton foi duramente criticado quando se apurou que alguns dos apoiantes que contribuíam para as suas campanhas eram recompensados com estadias na Casa Branca. Em nome da transparência, George W. Bush também é obrigado a divulgar os nomes de todos os visitantes à sua residência.


A melhor fonte de notícias da América… 

…é o "The Onion". Este é o motivo porquê.

19.3.04

Citação do dia 

“O vice-presidente só tem dois deveres. Um é ter o voto de
desempate no Senado, e o outro é inquirir diariamente sobre a saúde do
Presidente. Prefiro ficar como senador.”

John McCain

McCain a vice-presidente? 

Há muita especulação sobre qual será escolha de John Kerry como o seu candidato à vice-presidência. Muitos analistas sugerem uma solução invulgar — John McCain . Seria uma combinação inédita: Kerry é democrata; McCain é republicano.

Mas a escolha não seria tão bizarra assim. McCain foi candidato à presidência em 2000; derrotado nas primárias por George W. Bush, depois de uma campanha muito azeda, nunca chegou bem a fazer as pazes com o actual Presidente.

McCain é um político muito popular, e tem mantido a sua distância em relação a Bush; é um dos principais e mais respeitados críticos da Casa Branca. E além disso, Kerry e McCain — dois veteranos do Vietname — são amigos.

Mas uma campanha Kerry/McCain não deverá acontecer, porque o próprio McCain não parece interessado, e diz que apesar da estima que tem por Kerry irá cumprir a disciplina partidária e votar Bush.

Quem dá dinheiro a quem 

As contribuições às campanhas políticas nos EUA são públicas. A comissão federal de eleições (FEC) tem listas que discriminam os nomes de quem deu quanto a dinheiro a qual campanha.

Mas não é preciso estar a folhear os dossiers da FEC. O site Fundrace.org permite vasculhar as listas de doadores num interface simples. O Fundrace permite fazer buscas por nomes ou zonas geográficas.

O Fundrace permite por exemplo descobrir que, num raio de seis quarteirões à volta dos escritórios do PÚBLICO em Nova Iorque, ninguém deu um tostão a George W. Bush — mas há imensos doadores às campanhas dos democratas John Kerry, Wesley Clark e, sobretudo, Howard Dean.

Outras revelações: entre os americanos com o apelido português mais comum (Silva), Howard Dean foi o candidato mais popular, seguido de George W. Bush; só dois Silvas deram dinheiro a John Kerry.

Os pais do Presidente americano, George H. e Barbara Bush, já cumpriram o seu dever paternal — cada um deu 2000 dólares (o máximo permitido pelas leis eleitorais) à campanha do filho.

A actriz Jennifer Garner distribuiu dinheiro por vários candidatos democratas — Dick Gephardt, Wesley Clark, John Edwards — mas ainda não deu um tostão ao eventual nomeado, John Kerry.

O Fundrace vai ainda mais longe na análise das despesas de campanha dos candidatos; com base nos gastos das campanhas, apurou quais são os hóteis e companhias aéreas favoritas de cada um. Bush, aparentemente, favorece a cadeia Marriott.

18.3.04

Citação do dia 

"John Kerry defendeu a sua afirmação de que alguns líderes estrangeiros lhe disseram estar a torcer por que ele ganhe. Bush respondeu logo: ‘Ai sim, pois certos juízes do Supremo Tribunal disseram-me a mim que eu vou ganhar."
Jay Leno, apresentador do programa televisivo The Tonight Show


Os americanos, o M-11 e as eleições espanholas 

O ataque terrorista contra Madrid e a eleição de José Luís Zapatero para o governo espanhol suscitaram um debate importante nos EUA. Na página de opinião do "New York Times", dois artigos resumem as principais posições: David Brooks receia que os espanhóis tenham votado pelo apaziguamento dos terroristas;
Maureen Dowd critica a Administração por não compreender a mensagem do eleitorado espanhol.

Políticos de férias 

John Kerry vai tirar cinco dias de férias no remoto estado do Idaho, acompanhado da mulher, Teresa. Será talvez a única oportunidade até Novembro do candidato democrata de ter uns dias de descanso.

O Presidente George W. Bush é conhecido por tirar férias prolongadas no seu rancho de Crawford, no Texas, mas por agora está claramente em serviço.

Na política americana, nenhum gesto está livre de ser analisado. Os locais de férias dos políticos também têm um significado — aqui explicado nas páginas do "San Francisco Chronicle”.

17.3.04

Um novo tipo de jornalismo 

O “New York Times” apurou que a Casa Branca está a distribuir a estações televisivas locais vídeos de propaganda filmados como se fossem reportagens jornalísticas com o objectivo de louvar as reformas no sistema de saúde feitas por George W. Bush. Não há qualquer elemento nos vídeos que identifique a sua autoria.

Os amigos estrangeiros de Kerry 

John Kerry disse na semana passada que líderes estrangeiros lhe haviam confessado estar a torcer por que ele vença George W. Bush nas presidenciais de Novembro.

Os republicanos responderam irados, acusando Kerry de estar a inventar líderes estrangeiros. No entanto, parece provável que muitos políticos de nações aliadas dos EUA estejam a torcer pela vitória de Kerry — ou antes, pela derrota de Bush.

Uma sondagem a nível mundial que o PÚBLICO analisará na sua edição de amanhã demonstra que a popularidade dos EUA e das políticas da Administração Bush caiu a pique no ano passado. Agora, resta saber se o facto de Kerry ter líderes estrangeiros a apoiá-lo o irá ajudar.

Por um lado, um crescente isolamento internacional dos EUA não agrada a muitos americanos. Por outro lado, nenhum povo gosta de ter estrangeiros a dizer-lhe o que hão-de fazer — o que fariam os portugueses se americanos, suecos ou indianos lhes aconselhassem a votar a favor ou contra Durão Barroso nas próximas eleições?

O colunista Josh Marshall explica claramente porque é que Kerry provavelmente tem razão, e que influência é que isso poderá ou não ter nas eleições.

O “timing” de Kerry 

John Kerry tinha marcado para hoje um discurso sobre política externa. Era o seu discurso mais importante sobre o tema até agora na campanha, e a intenção era aproveitar o aniversário de um ano sobre o início da guerra no Iraque para apresentar as suas propostas.

Kerry começou a falar numa universidade em Washington por volta das cinco da tarde portuguesas; o discurso era transmitido pelas cadeias televisivas noticiosas, que de imediato interromperam a transmissão, porque houve um atentado de grandes dimensões em Bagdad.

O “timing” de Kerry é azarado: o atentado vai retirar as atenções mediáticas ao seu discurso. Por outro lado, o “timing” pode ter sido certeiro: o atentado também pode servir como confirmação das críticas do candidato democrata à forma como o Presidente Bush tem gerido a situação no Iraque.

Clinton ajuda a pedir dinheiro 

A campanha de John Kerry, seguindo o exemplo da de Howard Dean, lançou um repto aos seus apoiantes através da Internet: angariar dez milhões de dólares em dez dias.

Para incentivar os democratas a abrir os cordões à bolsa, Kerry recrutou Bill Clinton, que aparece no site do candidato a pedir ajuda e dinheiro. Até à hora deste post, já tinham sido angariados mais de 700 mil dólares.



Sharpton também apoia Kerry 

Al Sharpton não desistiu mas, como Howard Dean fizera há quase um mês, deixou de fazer campanha e deu o seu apoio a John Kerry.

Sharpton, um reverendo negro de Nova Iorque, não conseguiu atingir o seu principal objectivo - conquistar os votos dos afro-americanos, e implantar-se como o sucessor de Jesse Jackson entre os democratas americanos.

Agora só resta mais um candidato na corrida à nomeação democrata (que, de resto, está resolvida a favor de John Kerry) — o teimoso Dennis Kucinich.


15.3.04

Bush ganha no Google 

Uma das vantagens (ou desvantagens) de ser candidato à presidência é a maior visibilidade nos “media”. Por inerência ao cargo, George W. Bush é mais conhecido e discutido que John Kerry. A prova? O Google, campeão dos motores de pesquisa americanos, encontra muitas mais referências a Bush que a Kerry.

A prova está no site Googlefight. Mas a vitória de Bush é relativa. A forma como o Google compila os seus resultados deu nova vida a um epíteto lançado há alguns meses pelo ex-candidato democrata Dick Gephardt contra Bush.

A brincadeira já deu à volta à Internet várias vezes: experimente visitar o Google, escrever "miserable failure" ("fiasco trágico"), e veja o resultado.

14.3.04

Kerry, o francês 

John Kerry passou parte da sua juventude na Europa, estudou em escolas na Suíça e fala um francês excelente. Mas, depois da briga EUA-França por causa do Iraque, saber falar francês não ajuda numa corrida eleitoral americana. No caso de Kerry, alguns republicanos resmungam mesmo que ele "parece francês". O Montreal Gazette publica um artigo sobre o lado francês de Kerry, e como ele pode causar-lhe problemas. O "Gazette" conhece bem os contornos do debate anglo-francês - trata-se do único jornal de língua inglesa na cidade francófona de Montreal.

13.3.04

Os dissidentes anónimos 

republicanos preocupados com as políticas económicas de George W. Bush. Mas todos os que falaram ao "Washington Post" mantiveram o anonimato — o jornal sugere que eles sofreriam represálias se criticassem abertamente o seu chefe.



O Iraque está de volta 

…à campanha americana, bem entendido. O próximo dia 19 é o primeiro aniversário do início da guerra no Iraque. A Administração Bush ainda procura uma solução para a transição de poder, e continuam a morrer soldados americanos, mas o Iraque de certa forma saiu da agenda política americana.

Mas na próxima semana o Iraque voltará a ser falado. O Presidente Bush vai participar numa série de eventos destinados a recordar a guerra — culminando em visitas aos estados eleitoralmente decisivos da Pensilvânia e da Florida, e na sexta-feira numa visita a um hospital militar em Washington.

Não é só Bush que vai recordar o aniversário. No dia 20 haverá em Nova Iorque e no resto do país uma série de manifestações pacifistas contra Bush.

11.3.04

"A gente mais vigarista e mentirosa que eu alguma vez vi" 

Foi um típico descuido de campanha — John Kerry não sabia que tinha o microfone ligado, e que as suas palavras estavam a ser gravadas. Por isso é que numa conversa com um apoiante em Chicago, Kerry descreveu os seus adversários assim: “Deixem-me dizer-vos, ainda só começámos a lutar. Estes tipos são a gente mais vigarista e mentirosa que eu alguma vez vi.”

Os republicanos acusaram o toque e exigem um pedido de desculpas. A CNN tem o vídeo das declarações de Kerry.




Dean com Kerry 

Tal como Bush, John Kerry já oficializou que é o candidato democrata à presidência. Segundo as contas da sua campanha, Kerry conquistou o número suficiente de delegados à convenção do seu partido.

Kerry está agora a apelar aos seus ex-rivais para que eles se juntem à sua campanha. Hoje falou com Howard Dean, que lhe prometeu o seu apoio. Amanhã será a vez de John Edwards.


Soros, o milionário anti-Bush 

O magnata de origem húngara George Soros não gosta mesmo nada de George W. Bush e não esconde as suas opiniões. Soros decidiu pôr a sua vasta fortuna ao serviço da campanha para tirar Bush da Casa Branca.

O PÚBLICO explica amanhã nas suas páginas porque é que os anúncios do Media Fund, a organização criada por Soros, estão a criar controvérsia. Os anúncios podem ser vistos no site do Media Fund.

10.3.04

Bush é o candidato republicano 

George W. Bush passou a ser oficialmente o candidato republicano à presidência. Grande surpresa, não? Bom, embora Bush não tivesse adversários na corrida republicana, a sua nomeação só se concretizou quando ele obteve o número suficiente de delegados à convenção do partido — o que só aconteceu nas primárias de ontem.

John Kerry ainda não conseguiu definitivamente a nomeação — já é de facto o candidato democrata, mas ainda lhe falta conquistar alguns delegados para tornar as coisas oficiais.

O governo-sombra de Kerry 

Na política americana não há a figura (muito popular no Reino Unido e em outros países europeus) do “governo-sombra”. Os partidos não têm uma estrutura rígida que permita ao que está na oposição nomear ministros; os candidatos à presidência limitam-se a apresentar um candidato a vice-presidente.

Mas este artigo de opinião do “New York Times” sugere que a instituição de um “governo-sombra” era uma boa ideia. O autor até sugere nomes a John Kerry.



Kerry ganha mais quatro 

Sim, a nomeação já está decidida em termos práticos, mas continua a haver eleições até todos os estados americanos terem votado. Ontem foram mais quatro, todos para John Kerry. Os resultados de cada estado mostram vitórias claras para o senador do Massachusetts. O interesse destas eleições é muito reduzido, mas elas ainda vão continuar, aos pinguinhos, até Junho.


9.3.04

Hoje (ainda) há primárias 

A nomeação democrata está atribuída, mas mesmo assim hoje haverá mais eleições. A Florida, a Louisiana, o Texas e o Mississipi vão às urnas. A abstenção deverá ser muito alta, porque já não há nada para decidir; mesmo assim muita gente irá votar, até porque normalmente são marcados referendos ou eleições locais para os dias de primárias.

John Kerry garantiu a nomeação há uma semana, mas mesmo assim resolveu fazer campanha. Ontem estava no Sul da Florida, o estado onde (a muito custo) se resolveram as eleições de 2000.

As autoridades locais substituíram as suas máquinas de voto por novos aparelhos electrónicos, e os seus funcionários estão a preparar-se para evitar um novo fiasco como o de há quatro anos.

Mas, por via das dúvidas, as presidenciais na Florida serão as primeiras na história dos EUA a ter observadores internacionais.

A poesia de John Kerry 

John Kerry é um homem de muitos “hobbies”, a maior parte deles activos — gosta de “windsurf”, pilotar aviões e motos e de jogar hóquei no gelo. Mas o candidato democrata também tem uma veia literata.

Nos seus tempos livres, Kerry escreve poesia. O senador do Massachusetts não publica a sua obra, que aliás descreve humildemente como “versos macarrónicos”.

No ano passado, o “Washington Post” publicou uma entrevista com Kerry em que ele leu alguma da sua poesia. Esses versos são reproduzidos neste artigo da colunista Maureen Dowd. Aqui estão eles na íntegra, com desculpas pela violação de direitos de autor:

"I had a talk with a deer today
we met upon the road some way…
between his frequent snorts
He asked me if I sought his pelt
cause if I did he said he felt
quite out of sorts."

Sondagem: maus presságios para Bush 

A entrada de Ralph Nader na corrida afectou negativamente, como se esperava, as probabilidades de vitória do democrata John Kerry. Mas os números mais recentes da Gallup são preocupantes para George W. Bush.

Kerry está à frente, embora com uma margem muito curta, e o índice de popularidade de Bush continua em queda. Pior: desde Harry Truman em 1948, todos os presidentes em busca da reeleição chegaram a Março de um ano eleitoral à frente do seu adversário nas sondagens.

Só há uma excepção a esta regra: tal como Bush, Gerald Ford também tinha menos intenções de voto que o seu rival Jimmy Carter em 1976. Mau presságio para Bush: Ford perdeu.

8.3.04

Kerry, o troca-tintas? 

John Kerry é um candidato credível, mas tem os seus pontos fracos, que os republicanos irão explorar. Um deles, segundo um artigo de opinião do “Washington Post”, é uma tendência para mudar de opinião em assuntos fulcrais. Só os burros é que não mudam, dirão os seus defensores; oportunismo, dirão os adversários.

5.3.04

A casa hipotecada de Kerry 

No final do ano passado, a candidatura de John Kerry parecia moribunda. Para continuar na corrida, Kerry fez uma hipoteca a uma das suas casas, usando os 6,4 milhões de dólares que obteve do banco para financiar a sua campanha.

Entretanto as coisas melhoraram muito para Kerry, e ele obteve a nomeação democrata. Agora os seus rivais republicanos vão provavelmente usar o negócio da casa para o atacar. Este artigo do “USA Today” explica os termos da hipoteca, e como ela pode causar problemas a Kerry.


Sondagem: tudo empatado 

Uma sondagem da Associated Press apurou que os dois principais candidatos à presidência dos EUA, George W. Bush e John Kerry,estão empatados. Bush aparece com 46 por cento, Kerry com 45, uma diferença bem dentro da margem de erro.

A sondagem, que não conta com indecisos, mostra uma evolução desfavorável a Bush desde Janeiro; na altura, o estudo da AP dava a Bush dez pontos de vantagem sobre Kerry. Mas a grande novidade é Ralph Nader; o independente que anunciou este mês a sua candidatura aparece com seis por cento dos votos.

4.3.04

A ascensão dos vulcanos 

Os vulcanos eram a misteriosa raça de extraterrestres da série Star Trek a que pertencia Mr. Spock, o célebre crânio de orelhas pontiaguadas e temperamento impassível que aconselhava o capitão Kirk.

Nos últimos anos, o termo “vulcanos” tem sido aplicado a uma determinada classe intelectual americana ligada às questões de defesa. O jornalista James Mann escreveu um livro sobre os "vulcanos" e a sua influência na política externa americana dos últimos 30 anos. Mann não fala apenas sobre a Administração Bush, mas a sua análise foca-se naturalmente muito na última geração dos descendentes de Mr. Spock.



Nem toda a gente gosta dos anúncios de Bush 

George W. Bush começou ontem uma campanha maciça de anúncios televisivos. Mas há quem não goste dos anúncios, e não só os democratas — algumas famílias de vítimas do 11 de Setembro acham de mau gosto o aproveitamento político do ataque terrorista.



3.3.04

Agora o “veep” 

John Kerry escolheu Jim Johnson, um “insider” do Partido Democrata, para tratar do processo de selecção de um candidato a vice-presidente.

Tem-se falado muito em John Edwards como a escolha mais óbvia. Também se fala muito na hipótese do ex-general Wesley Clark.

Mas é preciso regressar até 1984 para encontrar um candidato que tenha escolhido um dos seus adversários nas primárias como candidato a “veep”. Outras possibilidades na lista de Kerry:

—Bill Richardson — governador do Novo México, popular e prestigiado, hispânico.
—Janet Napolitano — governadora do Arizona, mulher, influente num dos estados onde tanto Bush como Kerry podem ganhar.
—Max Clelland — amigo pessoal de Kerry, ex-senador pela Geórgia, sulista, herói de guerra.
—Robert Rubin — o arquitecto da política financeira de Bill Clinton, daria a Kerry uma credencial importante no debate sobre a economia
—Sam Nunn — ex-senador, perito em política internacional.
—Gary Hart — ex-senador, candidato à presidência em 1988 (retirou-se por um escândalo sexual), perito em questões de defesa e terrorismo.

A decisão ainda levará o seu tempo. Por agora, o “New York Times” tem uma ideia muito mais arrojada sobre quem poderia ser o vice-presidente de Kerry.

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Bush passa à ofensiva 

Agora que já sabe de certeza quem será o seu adversário em Novembro, George W. Bush entrou claramente em campanha. O Presidente americano vestiu a camisola de candidato e vai lançar uma campanha publicitária maciça em várias televisões americanas.

Os “spots” televisivos, em que aparecem Bush e a sua mulher Laura, e que louvam o currículo de Bush no seu mandato descrevendo-o como uma “liderança” segura, começam a ser exibidos amanhã. Mas os anúncios podem ser vistos já no site de campanha de Bush

Edwards diz adeus 

A campanha de John Edwards acabou. Na “super-terça-feira”, nem um estado ele conseguiu ganhar (nem sequer a Geórgia — foi onde esteve mais perto, mas não conseguiu).

Hoje, pelas 21h portuguesas, Edwards vai abandonar oficialmente a corrida. O discurso será feito por Edwards na Carolina do Norte, no liceu de um dos seus filhos, que morreu em 2000, com 16 anos, num acidente de automóvel.

Os agradecimentos 

John Kerry conclui o seu discurso de vitória num estilo "à óscares", incluindo os seus principais aliados políticos (Ted Kennedy, Max Clelland) e também a sua mulher, Teresa Heinz Kerry, de quem diz que "toda a gente que a conhece se apaixona por ela".

Kerry promete vencer Bush 

Com uma apresentação do outro senador do Massachusetts, Ted Kenney (que começou por saudar a "equipa Kerry", começando pela mulher, Teresa Heinz Kerry), John Kerry fez o seu discurso de vitória, apontando já para as eleições de Novembro.

Entrando ao som de "Beautiful Day", dos U2, Kerry recordou as suas promessas eleitorais: saúde para todos os americanos, o regresso dos EUA "à comunidade das nações" e o "reavivar das alianças" americanas. E garantiu que vai vencer George W. Bush.

Kerry teve também palavras para os seus rivais - agradeceu a Howard Dean o "trabalho inédito" que ele fez a "atrair novos eleitores", e a John Edwards pela sua "eloquência na defesa dos trabalhadores". "Com um Partido Democrata unido, vamos ganhar estas eleições."

Kerry com vitória estrondosa; Edwards abandona 

John Kerry vai mesmo ser o nomeado do Partido Democrata às presidenciais de Novembro. Kerry venceu por larga margem a maior parte dos dez estados que hoje votaram na "super-terça-feira".

Segundo as projecções das televisões americanas, Kerry ganhou em seis estados. Howard Dean (que desistiu da campanha mas ainda está nos boletins de voto) venceu no seu pequeno estado do Vermont, e John Edwards só terá conseguido ganhar na Geórgia.

Ainda não são conhecidos os resultados na Califórnia e no Minnesotta, mas espera-se que Kerry também ganhe aí. Confrontado com a "vaga" Kerry, Edwards decidiu abandonar a corrida.

As projecções dos resultados não deixam grandes dúvidas. Kerry prepara-se para fazer o seu discurso de vitória.

2.3.04

A “super-terça-feira” é hoje 

Dez estados vão a votos, e a nomeação democrata para a presidência deve ficar decidida já hoje. Segundo os números deste site, John Kerry fica com a vitória garantida.


1.3.04

Citação do dia 

"Acho que nos vamos sair bem amanhã. Temos sempre conseguido subir [nos dias anteriores a cada eleição]. Vamos ter de esperar e ver o que acontece."
John Edwards

Está difícil para Edwards 

Em vésperas da decisiva “super-terça-feira”, John Edwards parece estar em apuros. As sondagens colocam-no atrás de John Kerry em todos os dez estados que vão a votos, incluindo nos poucos estados onde Edwards tinha esperanças de ganhar. Eis alguns números do American Research Group:

Geórgia:
Kerry 48%
Edwards 38%

Maryland:
Kerry 46%
Edwards 34%

Nova Iorque:
Kerry 54%
Edwards 21%

Ohio:
Kerry 47%
Edwards 26%



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