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29.2.04

Debate — o rescaldo 

Ao fim de uma hora de debate em Nova Iorque, o resultado foi mais ou menos um empate.

John Edwards foi mais agressivo em relação a John Kerry que em debates anteriores; Kerry teve de responder a perguntas difíceis sobre o casamento “gay” e sobre a sua posição no espectro político americano; Al Sharpton e Dennis Kucinich disse fizeram o possível para se intrometer entre os dois favoritos.

É pouco provável que o debate tenha grande influência sobre os eleitores que vão votar na “super-terça-feira”. A maior parte dos analistas achava que Edwards precisava de uma prestação devastadora para recuperar o atraso nas sondagens para Kerry — e não o conseguiu.

Pergunta do debate: O moderador Dan Rather perguntou a Edwards sobre a capacidade do seu adversário Kerry de comunicar com o eleitorado; a pergunta saiu-lhe assim: “Acha que Kerry tem um Elvis suficiente em si?”

P.S: Os resultados do "bingo do debate": quatro pontos no cartão de Edwards, dois no de Kerry.

Bingo do debate 

Os quatro candidatos à nomeação democrata para as presidenciais estão num debate televisionado promovido pela estação CBS e pelo jornal “New York Times”.

O debate começou com questões de fé e política internacional (o Haiti). Mas para o espectador é possível aligeirar o tom profundo da discussão, com um jogo simples: o bingo do debate.

Joga-se assim: um ponto por cada vez que John Kerry mencionar o seu passado no Vietname ou a sua experiência política; um ponto por cada vez que John Edwards mencionar que o seu pai era um operário ou a sua teoria das duas Américas. O “cartão Edwards” já tem um ponto lá marcado.

28.2.04

Um Meetup Edwards 

O Meetup é um serviço na Internet através do qual pessoas com interesses semelhantes se podem reunir em bares e cafés. Não foi concebido como um instrumento político, mas graças à defunta campanha de Howard Dean, tornou-se numa forma de apoiantes de um candidato se encontrarem.

Esta semana houve um Meetup dos adeptos de John Edwards no West Side de Nova Iorque. Apareceram umas 40 ou 50 pessoas, algumas com pins ou autocolantes de campanha.

A teoria dos Meetups é simples: as pessoas encontram-se e confraternizam. Não há organizadores, não há agenda, não há estrutura. Para Lisa, presidente de uma produtora musical independente, este foi o primeiro encontro político em que ela alguma vez participou.

Porque é que ela foi ao Meetup de Edwards? “Porque ele é o primeiro político em que eu acredito a sério.” E porque há quatro anos “chorei baba e ranho quando vi que Bush ganhou”.

O ambiente do Meetup é descontraído e relativamente pouco politizado. Os apoiantes de Edwards mostram-se confiantes, apesar de as sondagens o colocarem muito atrás do seu rival John Kerry. Lisa nota que em outros estados Edwards recuperou terreno nos últimos dias de campanha.

Talvez. Mas, se os Meetups servirem de instrumento, Edwards está em apuros. O encontro no West Side foi o único Meetup de Edwards em Nova Iorque; havia quatro Meetups, com centenas de pessoas, para apoiantes de Kerry.


27.2.04

O casamento “gay” nas eleições 

A onda de casamentos “gay” em São Francisco e a proposta do Presidente Bush de uma emenda constitucional para proibir o matrimónio entre homossexuais tornou-se inesperadamente num dos grandes temas da campanha eleitoral.

Para o Partido Democrata, tradicionalmente mais próximo das causas “gay”, isto coloca um problema. Neste artigo da revista “Advocate” é explicada a posição de John Kerry.

Mas a questão também divide os republicanos, porque também há republicanos “gay”. O mais importante deles mostra-se zangado com Bush nesta entrevista à “Advocate”.


Frases do debate democrata 

Citações do debate entre os candidatos democratas em Los Angeles:

John Kerry: George W. Bush está a tentar dividir a América. Este é um Presidente que tenta sempre criar uma guerra cultural e procura o mínimo denominador da política americana, porque ele não pode falar aos americanos sobre empregos, porque ele não pode falar aos americanos sobre saúde, porque ele não tem um plano.

John Edwards: É claro para mim em todos os comícios em que participei que os eleitores querem uma escolha entre John Edwards e John Kerry.E o que tem acontecido sempre em todo o lado é que há uma poderosa resposta [à minha campanha] que causa uma grande subida nos dias antes das primárias.


26.2.04

“New York Times” vota Kerry 

Num editorial publicado hoje, o influente “New York Times” apoiou John Kerry.



As últimas chances de Edwards  

Com as sondagens a dar grandes vantagens a John Kerry nas primárias da “super-terça-feira”, só resta a John Edwards esperar por uma reviravolta nos debates televisivos. Hoje há um, na Califórnia.

Durante hora e meia, Kerry, Edwards e os outros dois candidatos ainda na corrida (Dennis Kucinich e Al Sharpton) vão debater numa universidade de Los Angeles. No domingo, os candidatos terão outro debate, desta vez em Nova Iorque.

Tenham calma, Sharpton vai a caminho 

A situação no Haiti está tão preocupante que já chegou à campanha eleitoral americana. John Kerry acusou o Presidente George W. Bush de ter contribuído para a instabilidade neste pequeno país próximo do Sudeste dos EUA com uma política externa desleixada.

Mas foi outro candidato, Al Sharpton, quem se mostrou mais envolvido. Sharpton, cuja campanha não tem corrido nada bem (ele não tinha esperanças de ganhar, mas mesmo com expectativas baixas as suas votações têm sido muito fracas), pretende encontrar-se com o Presidente haitiano, Jean-Bertrand Aristide.

Sharpton é um reverendo negro de Nova Iorque, e tem bons contactos com a relativamente numerosa comunidade haitiana da cidade. Aparentemente, Sharpton pretende conduzir uma espécie de “diplomacia paralela” — já havia tentado (sem grandes resultados) fazer o mesmo na Libéria há alguns meses.

O envolvimento de líderes políticos afro-americanos em assuntos internacionais não é inédito. Jesse Jackson, que foi em 1988 candidato à presidência, também por várias vezes actuou à margem do Governo americano em crises no estrangeiro.

25.2.04

Porque é que John Kerry ganha tantas primárias? 

Segundo uma teoria psicológica explicada pelo site Slate.com, é porque o eleitorado se deixa influenciar pelo efeito “Maria vai com as outras”.


Kerry ganhou mais três 

John Kerry venceu eleições no Utah, no Idaho e no Havai. Novamente com grandes margens. No Utah, 55 por cento para Kerry contra 30 por cento de Edwards; no Idaho, Kerry teve 54 por cento contra 22 por cento de Edwards.

No Havai, uma surpresa: John Kerry ganhou na mesma, com 46 por cento dos votos, mas em segundo lugar ficou Dennis Kucinich, com 30 por cento. Kucinich, um candidato quase marginal, que ainda não tinha eleito nenhum delegado, conseguiu ficar à frente de Edwards no “estado do aloha”.

Estas eleições não tinham grande importância para a corrida, com toda a gente concentrada na “super-terça-feira”. Mesmo assim, John Kerry já leva 19 vitórias em 21 eleições. E, pelas contas da CNN, tem uma vantagem considerável na contagem de delegados.



24.2.04

Teresa no Oeste 

Teresa Heinz Kerry tinha na sua agenda desta semana uma série de comícios na Costa Oeste dos EUA.

A esposa de ascendência portuguesa do candidato John Kerry tem participado na sua campanha, normalmente com uma estratégia complementar: ela vai onde John Kerry não vai. Esta semana, o senador do Massachusetts tem estado sobretudo nos estados da Costa Leste.

A agenda de Teresa Heinz Kerry colocava-a no outro lado do país — nos estados do Idaho (que vota hoje) e da Califórnia (o grande “prémio” da “super-terça-feira”).



Bush passa ao ataque 

George W. Bush tem-se mantido à margem da campanha, com uma postura “de estado”, procurando distanciar-se da corrida política. Mas isso acabou. Com várias sondagens a colocá-lo atrás dos nomeados democratas, Bush vai entrar em cheio na corrida.

Num discurso perante doadores republicanos, Bush atacou especialmente o seu provável adversário, John Kerry: “A batalha do outro partido para a nomeação ainda continua. Os candidatos constituem um grupo com opiniões diversificadas. São a favor de cortes fiscais e contra eles. São a favor do NAFTA e contra o NAFTA. São pelo [pacote legislativo anti-terrorismo] Patriot Act e contra o Patriot Act. São a favor de libertar o Iraque e opõem-se a isso. E todas estas opiniões vêm só de um senador do Massachusetts [Kerry].”

A campanha de Bush começará uma campanha publicitária em larga escala a partir de 4 de Março, com anúncios em estações televisivas locais e nacionais.

Sondagem: Kerry à frente na Califórnia 

Segundo uma sondagem do “Los Angeles Times”, John Kerry tem uma vantagem aparentemente imbatível sobre John Edwards na Califórnia, o maior dos estados que votam na “super-terça-feira” de 2 de Março.

O “LA Times” mostra 56 por cento das intenções de voto a favor de John Kerry, 24 por cento a favor de John Edwards — e apenas 14 por cento de indecisos.

Citação do dia 

"As acções que tomarmos e as decisões que fizermos nesta década terão consequências ao longo de todo este século."
George W. Bush

Hoje há eleições 

Mais três estados participam hoje no processo de nomeação de um candidato democrata. Haverá “caucus” no Havai e no Idaho, e primárias no Utah (este texto explica a diferença entre um “caucus” e uma primária).

Mas nem John Kerry nem John Edwards ligaram grande atenção a estes estados; nem sequer lá puseram os pés. É que o Havai, o Idaho e o Utah, todos juntos, só elegem 61 delegados à convenção democrata; na “super-terça-feira” de 2 de Março votam dez estados, e estão em jogo 1151 delegados.

Só na Califórnia estão em jogo 370 delegados, seis vezes mais que no trio que hoje vai às urnas. Com os olhos na “super-terça-feira”, Kerry e Edwards praticamente ignoraram as eleições de hoje.

23.2.04

Ralph, não concorras! 

Ralph Nader admite que vai ser difícil fazer o seu nome aparecer nos boletins de voto dos 50 estados americanos. Nader não tem máquina partidária nem fundos.

Mas mesmo assim a sua candidatura irrita os democratas, que receiam que Nader divida o voto de esquerda e — como aconteceu nas eleições de 2000 — entregue a vitória a George W. Bush.

Nos últimos meses houve uma série de sites na Internet implorando a Nader que não concorresse. Alguns desses sites são mantidos por eleitores arrependidos que votaram Nader em 2000.

Nader não ligou e avançou na mesma. É provável que a sua votação seja ainda mais residual que em 2000 — mas um punhado de votos pode decidir as eleições de Novembro. Por isso é provável que volte a aparecer um mecanismo curioso criado há quatro anos para jogar com as regras eleitorais americanas — o nadertrading.

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