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30.7.04

Boston: o best-of 

E antes do discurso de Kerry, que será inevitavelmente o ponto alto da festa de Boston, este blog faz o seu ranking pessoal dos melhores discursos da convenção, em ordem crescente:

5•Al Gore: o candidato derrotado de 2000 era acusado de não ter sentido de humor — mas o seu discurso tinha as piadas mais engraçadas da convenção, revelando uma saudável capacidade de se rir da desgraça própria.

4•Al Sharpton: impagável o momento em que o reverendo resolve ignorar o teleponto e começa a falar de improviso.

3•David Alston: um camarada de guerra de John Kerry, não é um político, mas discursou com mais força e convicção que muitos “profissionais”.

2•Barack Obama: começou mal, mas encontrou o seu ritmo e conquistou o Fleet Center com um entusiasmo apelo à unidade; é uma estrela em ascensão.

1•Bill Clinton: Elvis!

Boston: À espera de Kerry 

O ambiente no Fleet Center assemelha-se ao daqueles festivais de música em que o público está todo à espera de ouvir a última banda. Faltam duas horas para, usando um cliché que toda a gente repete porque é mesmo verdade, o discurso mais importante da vida de John Kerry.

28.7.04

Boston: LaRouche, insistente 

Os protestos na convenção democrata têm sido tranquilos e relativamente pouco numerosos. Mas um grupo tem sido particularmente insistente — os apoiantes de Lyndon Larouche, um eterno candidato à presidência, muito marginal mas sempre barulhento. Os seus apoiantes são jovens e enchem todas as pessoas de papéis, longas dissertações de LaRouche sobre o seu herói, FDR. Os “larouchistas” são muito novos e muito gentis e muito insistentes. Este blog já tem três cópias do seu manifesto . Uma das suas apoiantes, vendo a credencial que diz “press”, pediu: “You must talk about LaRouche!” Pronto, aqui está.

Boston: a vez dos bloggers 

Toda a gente tem um blog hoje em dia, e os bloggers ganharam respeitabilidade. Pela primeira vez na história política dos EUA, uma convenção passou credenciais a bloggers — não apenas a membros dos “media” tradicionais, nem sequer aos membros dos “media” tradicionais com blogs, mas a bloggers “puros”. Isso lançou, naturalmente, uma série de artigos na imprensa americana a comentar a ascensão dos blogs, de posts nesses blogs a comentar os comentários da imprensa tradicional, de análises da imprensa tradicional a re-comentar as análises dos blogs a…

Bom, a partir daqui fica tudo muito metatextual. O Partido Democrata celebrou a presença dos “bloggers” — ofereceu-lhes um pequeno-almoço.

Boston: o sistema de castas 

Dentro do Fleet Center anda toda a gente com uns enormes cartões ao pescoço, a sua credencial. As credenciais têm um arco-íris de cores, que representam o grau de acesso que o seu portador tem. Este blog, com uma credencial verde escura, pode andar por todos os corredores do edifício, pelas áreas de imprensa, e pelas zonas dentro do pavilhão propriamente dito destinadas a jornalistas da imprensa escrita.

Dentro dos media, numa casta superior estão as credenciais vermelhas, que dão acesso a todo o “floor” do pavilhão. Mas entre delegados, seguranças, “staff” e convidados especiais, há mais um sem-fim de credenciais coloridas e respectivos níveis de acesso. É uma experiência típica do Fleet Center durante a convenção — chegar a um “checkpoint”, ouvir o segurança dizer “desculpe, não pode passar por aqui”, e ver com inveja alguém com uma cor “superior" seguir em frente.

Mas o sistema de castas não se fica por aqui. Também há filhos enteados no “floor" do Fleet Center. Os delegados de estados “cruciais", onde as eleições se vão decidir — Ohio, Pensilvânia, Florida — têm direito a lugares mesmo junto ao palco; os delegados de estados onde não há grandes dúvidas sobre o resultado, especialmente de estados pequenos como o Idaho ou o Montana, vão para as arquibancadas.

Um delegado do Tennessee (um estado do Sul onde os democratas não têm grandes esperanças de ganhar) disse a este blog, durante uma longa espera na fila para comprar água (a logística da convenção tem as suas falhas) que o sistema de castas não se fica por aqui. “O nosso hotel fica quase no New Hampshire, é muito longe do centro da cidade”, contou; “Aposto que os tipos do Ohio e da Florida não têm esse problema.”

27.7.04

Boston: "Shove it!" 

É tema obrigatório de conversa entre jornalistas e delegados: Teresa Heinz Kerry zangou-se com um jornalista e usou termos algo, hmmm, fortes. "Shove it" é um termo difícil de traduzir — fiquemo-nos pela constatação de que não é uma coisa agradável de ouvir.

Não é um termo particularmente ofensivo, não conta sequer como palavrão, mas também não é linguagem normal para uma primeira-dama. John Kerry comentou que a mulher está habituada a dizer o que pensa; Hillary Clinton foi ainda mais entusiástica (“You go girl!”).

Boston: às vezes chato é melhor 

Muitos comentadores na imprensa americana, e aliás não só na imprensa americana, queixam-se de que as convenções modernas são aborrecidas. É tudo coreografado, orquestrado ao milímetro, sem surpresas e sem significado real: o candidato já está escolhido, o seu programa já está escrito, não há nada para decidir, é tudo um "show" para as câmaras de televisão.

Antigamente as coisas eram diferentes: muitas vezes chegava-se às convenções sem saber quem era o nomeado, e havia intermináveis negociações em "salas repletas de fumo" (este cliché está presente em quase todos os artigos nostálgicos do "antigamente" das convenções). Para quem goste de política pura, era espectáculo no seu melhor.

Mas se as convenções modernas são menos interessantes, isso é porque são mais democráticas. John Kerry já garantiu que será o nomeado deste ano porque conquistou a sua nomeação em eleições directas. Há algumas décadas, os "barões" regionais do partido é que decidiam em negociatas semi-obscuras o futuro do partido; agora, o processo é menos interessante e talvez tenha esvaziado de sentido este tipo de festas extravagantes, mas os tempos das “salas repletas de fumo" também não merecem grandes saudades.

Boston: a maioria media 

Este blog teve a pontaria de escolher um hotel em Boston com o sistema telefónico avariado. Felizmente, a organização da convenção democrata tem boas salas de imprensa.

Claro, por muito boas que sejam as salas de imprensa, não chegam. É que jornalistas em Boston são, passe a expressão, mais que as mães. Há 15 mil jornalistas acreditados para cobrir a convenção — mais que os delegados e convidados presentes no Fleet Center. O que provavelmente garante que até o mais anónimo delegado do Alaska ou do Wyoming acabará por ser entrevistado.

24.7.04

Em força para Boston 

Este blog vai para Boston; os posts da próxima semana serão da convenção, desde que a ligação à Internet o permita.

23.7.04

A convenção está aí 

A convenção democrata começa na segunda-feira, em Boston. A festa onde os democratas vão coroar John Kerry como o seu candidato à presidência tem um site e um blog. A lista dos oradores está aqui.



Bush e os negros 

Bush recusou-se a discursar perante a NAACP, a importante organização de direitos civis dos negros americanos. Bush disse que a NAACP está “demasiado politizada”. Em vez da NAACP, Bush dirigiu-se hoje à National Urban League, outra associação de negros americanos. O Presidente americano disse que os democratas presumem que têm o voto dos negros — mas que não há motivos para que assim seja.

Com efeito, nas últimas presidenciais 90 por cento dos negros votaram em Al Gore — nenhum bloco eleitoral é tão fiel a um dos partidos. Bush tenta atrair o eleitorado afro-americano, mas não deve ter grande sorte. O reverendo Jesse Jackson, um activista (democrata) negro, diz que Bush “fechou a porta aos eleitores negros”.

21.7.04

Isenção em São Francisco 

Um editor do "San Francisco Chronicle" foi suspenso por ter contribuído dinheiro para a campanha de John Kerry. William Pates, responsável pela página das cartas do leitor do diário californiano, ofereceu 400 dólares a Kerry; o jornal decidiu suspendê-lo, porque a doação viola a política de isenção do “Chronicle”.

Bloggers na convenção 

Estarão 15 mil representantes dos “media” na convenção democrata em Boston. Entre eles, algumas dezenas de bloggers. É a primeira vez que os blogs são reconhecidos ao lado dos “media" tradicionais num grande evento político americano.

20.7.04

"Kerry é a escolha de Bin Laden" 

Uma tradição política nos EUA é o “bumper-sticker” — autocolantes afixados nos guarda-lamas dos carros com “slogans” muito diversificados. No estado do Kentucky, surgiram “bumper-stickers” com esta mensagem: “Kerry é a escolha de Bin Laden — Bush é a minha.”

Os autocolantes não terão sido criados pelo Partido Republicano, mas um político local diz que embora não tenha sido ele a inventar a frase, acha que o autolocante tem piada e é verdade. Mas uma outra republicana, a congressista Anne Northrup, achou os “bumper-stickers” de mau gosto; Northrup pediu desculpas a Kerry pelo “golpe baixo", e pediu aos seus correligionários que deixem de usar o “slogan”.

O descuido de Berger 

Samuel Berger foi conselheiro de Segurança Nacional de Bill Clinton. Nessa qualidade, recebeu documentos para analisar o que deveria ser disponibilizado para a comissão que investiga o 11 de Setembro. O problema é que alguns desses documentos sumiram. Berger, que era conselheiro de John Kerry, afastou-se de imediato do candidato democrata. Mas a história vai mesmo assim render muitos comentários aos rivais republicanos de Kerry.

19.7.04

Mais de metade do país sem anúncios 

A propaganda eleitoral é quase toda via TV nos EUA; como é paga (não há tempos de antena gratuitos), os candidatos concentram-se nos estados “competitivos”, onde as eleições tanto podem cair para um lado como para o outro: Resultado: 60 por cento da população dos EUA vive em regiões onde não passam anúncios políticos. Quanto às zonas que têm a sorte (ou azar) de receber via TV as mensagens de Kerry e Bush, os estilos e os alvos de cada candidato variam.




Bush tem menos férias 

Num ano eleitoral, o Presidente americano limita-se a duas semanas no seu rancho em Crawford.

Conselhos de quem sabe 

O suplemento literário do “New York Times” destaca três livros com conselhos para John Kerry. Os seus autores foram todos grandes figuras do Partido Democrata, e todos têm em comum terem pensado em concorrer à Casa Branca — mas sem o conseguir.

George McGovern foi derrotado por Richard Nixon numa das maiores “cabazadas” da história eleitoral dos EUA. Gary Hart era o favorito a obter a nomeação democrata em 1988 — mas a sua campanha foi abatida por um escândalo sexual. Mario Cuomo nem sequer chegou a ser candidato a candidato — hesitou na sua melhor oportunidade, em 1992, quando era talvez o democrata mais popular dos EUA. Os seus livros de história política estão cheios de conselhos para o actual candidato democrata.

17.7.04

Os efeitos de “Fahrenheit 911” 

O objectivo de “Fahrenheit 911”, o último filme de Michael Moore, é denunciar as políticas de George W. Bush e contribuir para o afastar da Casa Branca. Até certo ponto, Moore está a ter sucesso — o filme bateu todos os recordes de bilheteira para documentários, e causou um enorme debate nos “media” americanos.

Mas, segundo esta sondagem a espectadores de “Farenheit 911” feita pela firma OpinionWorks (nota: o link abre um documento em PDF), os resultados do filme são de utilidade duvidosa para a campanha de John Kerry.

O estudo entrevistou espectadores do filme em três cidades do Norte do estado de Nova Iorque, e a sua representatividade é limitada. Segundo o estudo, a maioria dos espectadores acha que o filme de Moore vai ajudar a derrotar Bush.

Mas quem foi ver o filme era essencialmente quem já partilha as convicções de Moore — 86 por cento dos inquiridos disseram que “sempre se opuseram” à guerra no Iraque; só dois por cento dos espectadores eram apoiantes de Bush. E estes saíram do filme sem mudar de ideias.

16.7.04

Hillary afinal fala 

A notícia de que Hillary Clinton não estava entre a lista de oradores na convenção democrata em Boston causou bastante mal-estar entre os adeptos da senadora de Nova Iorque. Todas as grandes figuras do partido vão falar na convenção; porquê deixar de fora uma das senadoras mais populares?

Mas o assunto já foi remediado; o próprio candidato John Kerry telefonou a Hillary e pediu-lhe que se dirigisse à convenção. Hillary vai apresentar o discurso do marido, o ex-Presidente Bill Clinton.

15.7.04

Os indecisos estão a fugir a Bush 

Um estudo da firma de sondagens e análise Fabrizio McLaughlin tem conclusões curiosas: os indecisos tendem mais para o lado de John Kerry que para o de Bush (o link abre um documento em PDF).



Kenny-boy e Bush 

Kenneth Lay, o ex-patrão da Enron, vai ser julgado por irregularidades financeiras e fraudes na sua antiga empresa. Lay diz-se inocente, e queixa-se de que os seus amigos de outrora o abandonaram. Entre esses amigos, George W. Bush, que tratava Lay por “Kenny-boy” nos seus tempos de governador do Texas. Nessa altura, Lay e a Enron estavam entre os principais financiadores de Bush.



14.7.04

Um círculo pouco íntimo 

O círculo íntimo de John Kerry está a ficar cada vez menos íntimo, escreve o “Washington Post”; o número de conselheiros de Kerry tem crescido exponencialmente. Só economistas, são 200.

As filhas ao ataque 

Depois de quatro anos tão longe das câmaras como é permitido às filhas de um Presidente americano, as gémeas Jenna e Barbara Bush vão agora envolver-se na campanha do pai. Do outro lado, John Kerry também tem duas filhas ao seu lado na campanha, Vanessa e Alexandra. As eleições são um assunto de família.

Hillary não fala 

A lista de oradores para a Convenção democrata em Boston já foi anunciada. Estão lá os principais “pesos-pesados” do partido, incluindo os ex-presidentes Jimmy Carter e Bill Clinton. Mas há uma ausência notável: Hillary Clinton. A senadora por Nova Iorque é actualmente uma das figuras mais populares do partido — mas não irá discursar na convenção. Porquê? Porque, explicam os organizadores da convenção, ela não pediu para discursar. Obviamente, a ausência de Hillary dará azo a grandes especulações — ela não fala porque não quer, ou John Kerry terá receio de que Hillary atraia demasiadas atenções?

13.7.04

Sondagem: o efeito Edwards 

…é mensurável, mas não muito impressionante. Quase todas as sondagens mostram que a escolha de Edwards por John Kerry deu ao candidato democrata uma ajuda nas sondagens — em alguns casos, com uma subida de quatro ou cinco pontos. Mas nos estados cruciais onde as presidenciais se deverão decidir, Edwards não ajudou muito, e no seu estado da Carolina do Norte, a vantagem de Bush é tão grande (vinte pontos) que o candidato a vice de Kerry não deverá ter grande influência.



KerryEdwards.com 

Há dois anos, um empresário do Indiana chamado Kerry Edwards decidiu registar o endereço na Internet KerryEdwards.com. Não imaginava que, dois anos depois, Kerry-Edwards constituísse a dupla presidencial do Partido Democrata. Kerry Edwards disse à imprensa que está disposto a vender o site, seja à campanha de Kerry ou a qualquer outra pessoa disposta a pagar 30 mil dólares. Por enquanto, kerryedwards.com continua a servir o propósito original do seu proprietário — mostrar fotos do seu filho.



Contra Murdoch, marchar, marchar 

Não é só Michael Moore que está a fazer documentários "políticos" nos EUA hoje em dia. Outro filme bastante falado é "Outfoxed", de Robert Greenwald. O filme tem o subtítulo “A guerra de Rupert Murdoch contra o jornalismo"; o tema é a Fox News, a cadeia televisiva por cabo de notícias.

A Fox nos últimos anos tornou-se no principal canal noticioso dos EUA, superando a CNN; os seus inimigos queixam-se de que o "estilo Fox" não passa de propaganda às posições políticas de direita do seu patrão, o magnata da News Corporation Rupert Murdoch.

O filme — produzido com fundos da MoveOn.org e do Center for American Progress, duas organizações activistas de esquerda — não tem distribuição comercial nos cinemas americanos, mas está mesmo assim a ganhar atenção.

12.7.04

Bush reexplica o Iraque 

O Presidente americano diz que, mesmo sem armas de destruição maciça, valeu a pena.

11.7.04

Os americanos estão a prestar mais atenção 

Um estudo do Pew Research Center mostra que os americanos estão a seguir a campanha presidencial com muito mais atenção que em 2000. Sobretudo entre democratas e independentes houve um aumento dramático do número de pessoas que acham que estas eleições terão grande importância. O reverso da medalha é que os americanos continuam a achar a campanha aborrecida: tal como em estudos de 1996 e 2000, 57 por cento dos inquiridos declaram-se enfadados com os esforços de Bush e Kerry.

9.7.04

A culpa foi de Rupert? 

Ainda sobre a embaraçosa manchete do “New York Post” — o principal jornal nova-iorquino, o “Times”, cita sob anonimato um funcionário do “Post” que assegura que a fonte da "notícia" de que o vice-presidente de John Kerry seria Dick Gephardt foi… Rupert Murdoch, o magnata australiano-americano que é proprietário do “Post” (e de muitos outros órgãos de comunicação social). Os responsáveis do “Post” dizem que é mentira, e que não foi o seu próprio patrão a origem da primeira página à “Dewey derrota Truman".

Na Internet vale tudo 

As campanhas políticas americanas normalmente têm a sua dose de golpes baixos, mas a popularização da Internet pode ajudar a fazer descer o nível do debate. Mike Wendland, colunista do “Detroit Free Press”, explica como é que a Internet está a ser usada para arremessar lama contra o "inimigo".

8.7.04

Gephardt derrota Truman 

Nas eleições presidenciais de 1948, toda a gente previa que o republicano Thomas Dewey derrotasse o então Presidente Harry Truman. Um jornal de Chicago estava tão convencido da vitória de Dewey que, na sua edição do dia seguinte às eleições, mesmo sem serem conhecidos os resultados finais, colocou uma manchete na primeira página que se tornou histórica: “Dewey defeats Truman”. Claro, Truman acabou por ganhar, e a exibir com gozo a manchete.

O tablóide nova-iorquino "New York Post" teve um dia “Dewey Defeats Truman" na terça-feira. O jornal ostentava orgulhosamente um “exclusivo”, segundo o qual a escolha de Kerry para vice-presidente era… Richard Gephardt. Na mesma manhã, John Kerry veio dizer que já escolhera um vice, e que ele era — John Kerry.

O “Post” pediu desculpas aos seus leitores. O tablóide rival de Nova Iorque, o “Daily News”, fartou-se de troçar do “Post” — o editor do “Daily News” enviou champanhe ao seu homólogo do “Post” e tudo.



Os 15 por cento e a tirania das expectativas 

Matthew Dowd, estratega da campanha de George W. Bush, fez circular um e-mail junto de outros conselheiros republicanos, prevendo que as sondagens vão sofrer uma “mudança radical” nas próximas semanas.

Dowd prevê que a escolha do vice-presidente e a convenção democrata (no fim do mês) farão com que John Kerry suba muito nas sondagens. A escolha de Edwards e a convenção darão atenção mediática e projecção nacional a Kerry; é previsível que isso faça o candidato democrata subir nos estudos de opinião.

Mas o cenário traçado por Dowd é negro para Bush. Ele faz uma análise de eleições anteriores e conclui que Kerry irá no final do mês não apenas superar a situação de “empate técnico” como ganhar uma vantagem considerável.

“A análise histórica sugere que John Kerry deverá ter uma vantagem de mais ou menos 15 pontos no fim da convenção”, escreveu Dowd.

Ora, este e-mail foi publicado em toda a imprensa americana. Não foi uma mera fuga de informação — parece óbvio que Dowd tinha intenção de que esta previsão, e o número bombástico de 15 por cento, chegassem aos media.

Porque é que um estratega republicano havia de querer partilhar com o mundo um cenário tão negativo para o seu candidato?

Uma resposta possível é a tirania das expectativas. Ao avançar essa putativa vantagem de 15 por cento, Dowd está a levantar muito a fasquia para Kerry.

Se, no fim da convenção, Kerry tiver subido nas sondagens mas ficar longe dos 15 por cento de vantagem sobre Bush, os republicanos poderão dizer que o candidato democrata não conseguiu aproveitar o seu momento, e que qualquer vantagem que ele tenha obtido é insignificante.

Ou seja, se no fim do mês Kerry estiver cinco ou seis pontos à frente de Bush, a história poderá ser não que ele vai à frente — mas que não conseguiu uma vantagem de 15 pontos. O “New York Times” sugere que essa poderá ser a explicação para a generosa previsão de Dowd.

7.7.04

Os riscos de Edwards  

Escolher John Edwards como candidato a vice pode parecer uma escolha lógica e, sob muitos pontos de vista, é mesmo.

Mas há uma perspectiva segundo a qual a decisão de John Kerry é curiosa, e acarreta mesmo alguns riscos.

Não é comum um candidato a Presidente escolher um político estabelecido e com ambições próprias. É mais normal escolher um novato pouco conhecido (George H. Bush e Dan Quayle), um veterano sem ambições de futuro (George W. Bush e Dick Cheney), ou um político respeitado mas sem estatura nacional (Al Gore e Joe Lieberman).

Nos casos em que os candidatos optaram por figuras “fortes” como Edwards, os resultados são variados e nem sempre bons.

Bill Clinton acertou a escolher Al Gore, porque Gore mostrou grande espírito de sacrifício e contenção nas suas campanhas como vice. Mas já Bob Dole, em 1998, teve imensos problemas com Jack Kemp — que se revelou demasiado “independente”.

Edwards é hoje um político de dimensão nacional, e tem certamente ambições de futuro. Não é impossível que Edwards faça a “sua” campanha, destinada mais a promover-se a si próprio que a garantir o êxito do novo chefe. Afinal, se Kerry perder em Novembro, Edwards fica a ser a hipótese mais provável dos democratas para a eleição de 2008.

6.7.04

O vice 

É John Edwards.

5.7.04

Kerry e o aborto 

Numa entrevista ao “Dubuque Telegraph Herald”, John Kerry tentou clarificar a sua posição quanto ao aborto à luz do seu catolicismo: é contra, mas também acha que o Estado não tem direito de estabelecer uma probição.


Numa localização secreta: Cheney 4 

O pior de tudo é que Cheney dá cada vez mais sinais de ter perdido a paciência com o ultrapolarizado mundo político americano. No final do mês passado, estalou-lhe o verniz. Cheney encontrou-se nos corredores do Capitólio com o senador democrata Patrick Leahy, e a conversa andou à volta dos laços do vice-presidente à Halliburton. Cheney irritou-se de tal maneira que (perante testemunhas) acabou o diálogo desta forma singela: “Fuck yourself”.

Numa localização secreta: Cheney 3 

Outro motivo de preocupação em relação a Cheney é a sua saúde precária — ele vai em cinco ataques cardíacos, um deles sofrido já com Bush na Casa Branca. A preocupação é maior ainda porque a equipa de saúde de Cheney não é de completa confiança — um dos seus médicos pessoais (recentemente afastado do tratamento do vice-presidente) admitiu ser viciado em medicamentos; Cheney sabia dos problemas do seu médico há quatro anos, mas continuou a ser tratado por ele até há pouco tempo.

Numa localização secreta: Cheney 2 

A impopularidade e a falta de capacidade comunicativa do vice-presidente chegaram a dar azo a especulações de que George W. Bush poderia escolher um novo vice-presidente para o segundo mandato. Tal não foi o caso; mas Cheney é neste momento mais uma fraqueza que uma força para Bush — sobretudo pela sua associação à controversa Halliburton, uma firma a que Cheney presidiu antes da campanha presidencial de 2000, acossada por acusações sobre as suas práticas financeiras e sobre favoritismo e corrupção na atribuição de contratos no Iraque.

Numa localização secreta: Cheney 1 

O vice-presidente Dick Cheney é visto pelo por muitos americanos como a eminência parda da Administração Bush — um homem com tanta ou até mais influência que o próprio Presidente. A parte do “parda” é relevante — Cheney não gosta de aparecer. Nos meses após o 11 de Setembro de 2001, Cheney levou a sua tendência para o isolamento a um extremo, refugiando-se frequentemente em localizações secretas, tornando o termo “undisclosed location” num chavão da linguagem política americana.

Com a campanha para as presidenciais de Novembro a todo o vapor, Cheney está cada vez mais a regressar à ribalta. Mas o vice de Bush continua a ser aquele raro tipo de político que não aprecia “banhos de multidão”. Conta o “New York Times” que, numa recente “tournée” por três estados cruciais, Cheney revelou a sua falta de à vontade em campanha: num comício, chegou a pedir à multidão que se calasse, qual professor primário a tentar controlar uma turma rebelde, inquirindo “vocês querem ouvir este discurso ou não?”.

3.7.04

Uma relação especial 

O colunista do "Washington Post" David Broder reflecte sobre os laços entre George W. Bush e Tony Blair — e disserta sobre como os destinos do Presidente americano e do primeiro-ministro inglês podem estar ligados.

Vice por e-mail 

John Kerry deverá anunciar quem vai ser o seu candidato a vice-presidente na próxima semana. Os primeiros a saber serão os assinantes da sua mailing list: Kerry vai revelar a sua escolha através de um e-mail enviado ao milhão de assinantes do seu site na Internet, JohnKerry.com.


2.7.04

As sondagens “secretas" 

Segundo a ABC News, a equipa que conduz a busca de John Kerry por um candidato a vice-presidente está a recorrer a sondagens confidenciais para tentar perceber qual seria a escolha melhor recebida. Aparentemente, o ideal seria o republicano John McCain — mas McCain garante que não está interessado.

Kerry cheio de dinheiro 

John Kerry estabeleceu um novo recorde, angariando 34 milhões de dólares através da Internet em Junho — só na quarta-feira, foram três milhões de dólares. O ritmo a que Kerry está a recolher fundos coloca-o quase ao nível de George W. Bush: o "Washington Times" afiança que a diferença de dinheiros entre os dois candidatos se tornou irrelevante.


1.7.04

O candidato na sala de jantar 

Os anúncios televisivos nos EUA têm regras diferentes das europeias (não há tempos de antena; os anúncios são pagos; são permitidos ataques a outros candidatos) e é-lhes atribuída grande importância nas campanhas. O American Museum of the Moving Image criou uma fascinante exposição online, onde estão disponíveis inúmeros anúncios televisivos desde os anos 50, quando o meio passou a ser usado para propaganda política nos EUA.

Particularmente interessante é a secção dedicada aos anúncios de 2004 — não só para visitantes estrangeiros, mas também para muitos americanos. Devido às idiosincrassias do sistema eleitoral americano, as presidenciais irão decidir-se em meia dúzia de estados — nos outros, o vencedor está praticamente decidido à partida. Em consequência, vários anúncios são só exibidos nos “swing states”. Para os americanos que vivem em estados “decididos”, este site poderá ser o único meio de ver esses anúncios.

Previsões favorecem Bush 

Ao cabo de três semanas de férias deste blog, tudo na mesma em relação às sondagens: George W. Bush e John Kerry continuam empatados nas intenções de voto para as eleições de Novembro. Mas um grupo de cientistas políticos contactados pela Reuters avança previsões claras: recorrendo a modelos matemáticos, estes analistas prevêem que Bush vai vencer com entre 53 e 58 por cento dos votos. Em outras eleições, os previsores tiveram bons resultados — mas com uma falha grave nas presidenciais de 2000, as únicas verdadeiramente renhidas dos últimos 20 anos, em que os oráculos anteviram uma vitória de Al Gore.

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